Propina de Deus: PF investiga banco de Edir Macedo por suspeita de fraude milionária
A Polícia Federal deflagrou a Operação Miragem nesta terça-feira para apurar um esquema de fraudes financeiras no Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo desde 2020. A ação, autorizada pela 2ª Vara Federal Criminal de São Paulo, cumpre nove mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de até R$ 670,3 milhões em bens dos investigados.
A investigação se baseia em relatórios do Banco Central do Brasil, que apontam o uso de manobras contábeis pela diretoria para ocultar uma situação de insolvência. O objetivo seria manter uma falsa aparência de solidez financeira para continuar captando recursos e concedendo empréstimos, operações que seriam vedadas à instituição caso sua real condição fosse conhecida.
Segundo a PF, o método se assemelha ao utilizado no Banco Master, onde a gestão inflava artificialmente o patrimônio para atrair investidores com depósitos de juros elevados, protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos. A estratégia, que carecia de lastro real, levou à intervenção do Banco Central para evitar um colapso.
A Igreja Universal informou que Edir Macedo não participa da gestão do banco. Embora não tenha sido alvo de busca por residir no exterior, a Justiça Federal autorizou a quebra de seus sigilos bancário e fiscal. A defesa do bispo declarou que irá provar a legalidade de todas as operações.
A operação ocorre em um momento crucial, quando o BTG Pactual negociava a compra do Digimais, e reforça a atuação dos órgãos federais no combate a crimes que ameaçam a estabilidade do sistema financeiro. A postura mais rigorosa da Comissão de Valores Mobiliários e de outros reguladores é vista como essencial para garantir a credibilidade do mercado de crédito digital no país. O aprofundamento das apurações sobre as conexões políticas e o modus operandi desse tipo de fraude corporativa é aguardado para os próximos meses.






