Política

Depoimento sobre arma amplia cerco a Bolsonaro perto de decisão judicial

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal nesta terça-feira (23) sobre a pistola Glock calibre 9 milímetros, registrada em seu nome, que foi apreendida com um de seus seguranças. A oitiva, que durou cerca de cinco minutos e ocorreu na residência do ex-mandatário, acontece em um momento crítico, às vésperas da reavaliação de sua prisão domiciliar pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A defesa de Bolsonaro, representada pelo advogado Paulo da Cunha Bueno, sustenta que não há crime no episódio. Segundo a versão apresentada, o ex-presidente apenas pediu que um segurança, sargento do Exército, verificasse um defeito na arma. Contudo, o caso levantou suspeitas no ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, que questiona a razão de o condenado por trama golpista manter uma arma em casa e, principalmente, por que solicitou o conserto às vésperas do término do prazo de 90 dias de sua prisão domiciliar.

A apreensão da arma, ocorrida a 33 quilômetros da casa de Bolsonaro, também expôs uma possível falha nos protocolos de segurança. Moraes apontou que ordens judiciais podem estar sendo descumpridas, já que os veículos que deixam a residência deveriam ser revistados. A PM informou que os carros dos seguranças não passam por vistoria por ficarem estacionados em via pública. O comportamento do segurança durante a abordagem, que teria fechado o vidro do carro ao notar a presença da arma, também aumentou a desconfiança dos investigadores.

Este episódio pode ser decisivo para o futuro de Bolsonaro. A violação de medidas cautelares é um fator que Moraes considera para revogar benefícios, como já ocorreu em outras ocasiões. A decisão sobre a continuidade da prisão domiciliar ou o retorno ao complexo da Papudinha é aguardada para o fim desta semana.