Midas reverso: os caminhos de Flávio Bolsonaro que terminam em investigações policiais.
A reconstrução das instituições republicanas e a atuação independente da Polícia Federal têm exposto as frágeis bases éticas da extrema-direita fluminense. Em um cenário de sucessivas operações de combate à corrupção, a articulação política do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Rio de Janeiro desmoronou antes mesmo de ganhar as ruas, evidenciando o isolamento de um grupo político marcado por escândalos judiciais.
O projeto eleitoral desenhado pelo parlamentar ruiu com a derrocada de seus principais aliados. O ex-governador Cláudio Castro, que encabeçaria a chapa, tornou-se alvo da Polícia Federal e foi declarado inelegível por abuso de poder econômico. Logo em seguida, o suplente indicado, Márcio Canella, foi preso em flagrante durante a Operação Unha e Carne — que investiga um esquema de lavagem de R$ 7,6 bilhões em postos de combustíveis — após agentes encontrarem um fuzil de uso restrito em seu veículo. Canella agora cumpre medidas cautelares com tornozeleira eletrônica por determinação do Supremo Tribunal Federal.
A lista de aliados de Flávio Bolsonaro alcançados pela justiça sob a égide da legalidade e da transparência institucional é extensa. Em novembro de 2025, a PF prendeu o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como operador de fraudes financeiras e interlocutor próximo do senador em transações financeiras suspeitas. Em outra frente, a Operação Sem Refino bloqueou R$ 52 bilhões em ativos em investigação sobre sonegação e evasão de divisas ligadas à refinaria Refit, atingindo novamente o núcleo político do PL fluminense.
A ofensiva contra a criminalidade organizada e o desvio de recursos públicos também alcançou Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, preso por ligações com a lavagem de dinheiro do jogo do bicho. Mais recentemente, a Operação do Ministério Público fluminense prendeu familiares do deputado estadual Alexandre Knoploch por desvios de R$ 86 milhões no Instituto Rio Metrópole, confirmando o diagnóstico judicial de que a política local havia atingido o limite da degradação ética.
Diante do avanço das investigações e do silêncio obsequioso de Flávio Bolsonaro, o pragmatismo político falou mais alto em Brasília. Partidos de centro que ensaiavam apoio ao bolsonarismo, como o PP de Ciro Nogueira e o União Brasil, recuaram estrategicamente em direção à neutralidade para as próximas eleições. O isolamento do senador consolidou-se com o rompimento público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que abandonou a coordenação partidária prevendo o nocaute definitivo da candidatura do enteado diante dos inevitáveis desdobramentos judiciais.
Texto baseado em matéria do The Intercept Brasil






