Dark Horse: Frias alega missões oficiais sem provas durante filmagens
O mandato do deputado federal Mário Frias (PL-SP) parece ter servido a um propósito particular durante os últimos meses de 2025: a produção de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Enquanto o parlamentar atuava como produtor executivo no set, a Câmara dos Deputados registrava que ele estava em missões oficiais, que, no entanto, não possuem qualquer registro de terem ocorrido.
A sobreposição de agendas ficou evidente em 21 de outubro daquele ano. Um documento da produção do filme, gravado em um hospital de São Paulo, lista Frias como “produtor executivo”. No mesmo dia, o deputado informou à Câmara que iniciava uma viagem oficial de três dias para “participar em debates sobre implantação de escolas cívico-militares” na capital paulista. Não há qualquer vestígio dessa atividade em suas redes sociais ou em fontes abertas.
Este não foi um caso isolado. Entre outubro e dezembro de 2025, período das filmagens, Frias solicitou autorização para outras duas missões oficiais em São Paulo. Uma delas, para “vistorias técnicas em equipamentos esportivos” em Itirapina, foi desmentida pela própria prefeitura, que afirmou não ter “registros ou relatório oficial” da visita. Outra, em São Caetano do Sul, também não deixou rastros. As ausências permitiram que o deputado se ausentasse de sessões de votação em Brasília, justificando-as como compromissos do mandato.
A relação de Mário Frias com o filme vai além da produção. Ele é o autor da história original e possui laços estreitos com a produtora, Karina da Gama, desde que era secretário de Cultura do governo Bolsonaro. Já como deputado, Frias destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares para entidades ligadas a Gama, levantando suspeitas sobre conflito de interesses.
O padrão de viagens questionáveis do parlamentar já havia chamado a atenção do Supremo Tribunal Federal (STF) em outra ocasião, quando oficiais de justiça não o encontraram para uma notificação e descobriram que ele estava em uma viagem não autorizada ao Bahrein e aos Estados Unidos.






