Política

Abic alerta para impacto de extremos climáticos sobre os preços do café

O mercado de café enfrenta oscilações decorrentes de fatores climáticos globais, acendendo o alerta para a importância do fortalecimento de políticas públicas de apoio ao setor agrícola frente à crise ambiental. Segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da USP, a saca do café arábica iniciou julho cotada a R$ 1.787,48, consolidando uma alta de 13,2% após um período de queda no primeiro semestre.

No caso do café robusta, muito presente na mesa dos trabalhadores brasileiros, a valorização foi de 18% em três meses, alcançando o valor médio de R$ 1.087,05. De acordo com Pavel Cardoso, presidente da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), esse cenário de volatilidade decorre do baixo volume de estoques globais, de chuvas intensas no período de colheita e da chegada do fenômeno El Niño. Caso a alta se sustente, reajustes para o varejo podem ocorrer a partir de agosto.

O atual cenário reforça a urgência de ações governamentais voltadas à transição ecológica e à mitigação de danos climáticos, uma vez que o excesso de chuvas dificulta a secagem dos grãos, enquanto o El Niño ameaça lavouras com seca no Nordeste. Apesar do desafio imediato, relatórios do Itaú BBA projetam uma recuperação do saldo global de produção para as próximas safras, sinalizando a resiliência do abastecimento nacional.