Política

Seguindo os passos do pai, Flávio Bolsonaro ataca urnas e PT estuda medidas

O Partido dos Trabalhadores (PT) estuda acionar a Justiça contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o pré-candidato à Presidência da República disseminar informações falsas sobre as urnas eletrônicas em um encontro com embaixadores. Em nota, o presidente do partido, Edinho Silva, afirmou que a atitude do senador reflete a mesma “cultura golpista” de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e repete os métodos antidemocráticos utilizados na campanha de 2022.

A declaração de Flávio é vista pela cúpula petista como parte de uma estratégia para minar a confiança no sistema eleitoral, algo que o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro fez em 2022, em um evento semelhante com diplomatas que contribuiu para sua inelegibilidade. “Flávio Bolsonaro prova que tem a mesma cultura golpista do pai, Jair Bolsonaro, e adota os mesmos métodos”, declarou Edinho, lembrando que o sistema de votação eletrônico elegeu o próprio senador e sua família diversas vezes.

Para o PT, a ofensiva de Flávio busca associá-lo ao bolsonarismo radical, uma tática que o partido pretende explorar para aumentar a rejeição ao senador, impedindo que ele se apresente como uma alternativa moderada. “Sabemos quais são as consequências dessa ofensiva antidemocrática. Tentar descredibilizar as urnas é método contra a nossa democracia. E o resultado pode ser gravíssimo, como a história recente demonstrou”, alertou Edinho, em referência direta aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

No evento, realizado na terça-feira (21), Flávio Bolsonaro afirmou falsamente que as urnas brasileiras teriam a mesma origem da empresa venezuelana Smartmatic, alvo de denúncias nos Estados Unidos. A fala foi proferida a representantes de mais de 40 países, em um ciclo de debates com presidenciáveis. Pesquisas recentes, como a do instituto Quaest, mostram o presidente Lula com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 28% de Flávio Bolsonaro.