Política

Privatizações de Tarcísio de Freitas elevam falhas nos trens de SP

O avanço da agenda de desestatização no transporte sobre trilhos em São Paulo tem gerado reflexos diretos na qualidade do serviço prestado à população. Um levantamento aponta que as falhas nas linhas de trens e metrô na capital paulista cresceram 27% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Ao todo, foram registradas 205 ocorrências — uma média superior a um caso por dia —, com destaque para o aumento de panes justamente nas linhas entregues à iniciativa privada.

A Linha 7-Rubi, cujo processo de concessão iniciou-se em agosto de 2025, registrou um aumento expressivo de 600% no número de falhas. Para o presidente do Sindicato dos Metroviários e Metroviárias de São Paulo, Dagnaldo Gonçalves Pereira, o diagnóstico está diretamente ligado à lógica do lucro privado, que compromete a segurança e a manutenção preventiva. Com 38 anos de experiência no setor público, o dirigente destaca que descarrilamentos eram inexistentes nas estatais, mas tornaram-se recorrentes após a entrega das linhas da CPTM, somando dez ocorrências recentes.

Precarização do trabalho e falta de investimentos
A deterioração dos serviços também passa pela redução de pessoal e pela perda de direitos trabalhistas. De acordo com o sindicato, houve um corte de 30% a 40% no quadro de funcionários sob a gestão privada, o que faz com que algumas estações operem com apenas um trabalhador. O sucateamento promovido pela gestão de Tarcísio de Freitas contrasta com a eficiência histórica das linhas geridas pelo Estado, que mesmo após décadas de operação contínua, apresentam maior estabilidade do que os trechos privatizados.