Dino bloqueia R$ 119 mi de Valdemar Costa Neto por suspeita de desvio de emendas
Em uma decisão que reforça o combate ao uso irregular de verbas públicas, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. A medida atende a um pedido da Polícia Federal (PF), que investiga a atuação do dirigente partidário no direcionamento de emendas parlamentares, mesmo sem possuir mandato no Congresso Nacional.
Segundo o relatório da PF, há indícios de que Valdemar operava uma espécie de “cota pessoal” para distribuir recursos públicos conforme seus próprios interesses. A investigação aponta que as emendas “foram forjadamente encaminhadas e desviadas”, com a suspeita de que o próprio presidente do PL tenha sido o beneficiário final. O valor efetivamente pago sob suspeita já chega a R$ 104 milhões.
A apuração da PF, que culminou na decisão de Dino, revela um esquema sofisticado para dar aparência de legalidade às operações. Servidores da Câmara dos Deputados seriam utilizados para inserir os nomes de parlamentares como solicitantes dos recursos, ocultando a influência de Valdemar. “Fala-se de um volume considerável de emendas parlamentares indicadas por uma pessoa não detentora de mandato”, destaca o documento da corporação, que classifica a prática como um sintoma claro do crime de peculato (desvio de dinheiro público).
A investigação teve origem na operação Transparência, que mirou uma assessora ligada ao ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). A análise de seu celular expôs a suposta rede de influência. Além dela, outros dois servidores da liderança do PL são suspeitos de atuar como operadores diretos de Valdemar, organizando as destinações e garantindo que as diretrizes do presidente do partido fossem cumpridas. A PF afirma que os funcionários tinham “plena consciência da clandestinidade dessa atuação”.
Além do bloqueio de bens, o ministro Flávio Dino suspendeu a execução de todas as despesas relacionadas às emendas sob investigação e intimou o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) a apresentar, em dez dias, todos os documentos sobre a tramitação dos valores. A reportagem tenta contato com a defesa de Valdemar Costa Neto.






