Mesmo com desculpas, clã Bolsonaro continua em crise com cerco judicial e econômico
Em um gesto público para conter a crise que abala a família do ex-presidente, Michelle Bolsonaro aceitou o pedido de desculpas de seu enteado, o senador Flávio Bolsonaro. A aparente trégua, no entanto, ocorre em um momento de crescente pressão sobre o clã, que agora enfrenta um novo inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) e o impacto de novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
A troca de afagos entre Michelle e Flávio buscou encerrar semanas de acusações públicas. Em vídeo, o senador reconheceu o trabalho da ex-primeira-dama no PL Mulher e em causas sociais, pedindo perdão por “momentos que causaram desconforto”. Michelle respondeu afirmando receber as palavras “com muita paz” e que o gesto de Flávio “tem muito valor”.
Contudo, a paz familiar não se estende ao campo judicial. O ministro André Mendonça, do STF, autorizou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para apurar o financiamento de R$ 61 milhões do filme ‘Dark Horse’, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. A investigação mira a origem dos recursos, com suspeitas de doações irregulares ou caixa dois na produção, que visava reabilitar a imagem do ex-presidente para as eleições de 2026.
No front externo, o cenário também se agrava. O governo dos Estados Unidos anunciou novas tarifas de 12,5% sobre produtos brasileiros. Em resposta, o governo federal reagiu com firmeza, classificando a justificativa norte-americana como uma “manipulação de um tema ligado aos direitos humanos”. O Brasil anunciou que irá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) e aplicar a lei de reciprocidade econômica, defendendo os interesses nacionais. A medida coloca a oposição bolsonarista em uma posição delicada, dividida entre o alinhamento ideológico com a direita americana e a defesa da economia brasileira.
Enquanto isso, outras frentes ligadas ao bolsonarismo demonstram fragilidade. Em São Paulo, a CPTM teve que reassumir temporariamente a operação de três linhas de trem após falhas graves da concessionária privada, expondo os riscos do modelo de gestão defendido por aliados do ex-presidente. Simultaneamente, o deputado Eduardo Bolsonaro voltou a atacar, sem provas, a segurança das urnas eletrônicas, reeditando um discurso já derrotado e que encontra cada vez menos eco político.






