Malafaia Transforma “Marcha para Jesus” em Palco para Candidatos Bolsonaristas com Milhões em Patrocínio Público
O pastor Silas Malafaia, figura proeminente no cenário religioso e organizador da “Marcha para Jesus”, utilizou o evento para promover abertamente candidatos alinhados ao bolsonarismo. Deputados como Douglas Ruas (PL-RJ), pré-candidato ao governo do Rio, e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, além do ex-vereador Alexandre Isquierdo (União Brasil-RJ), foram convidados e subiram ao trio elétrico, em um claro movimento de apoio político.
O que chama atenção é o vultoso patrocínio público destinado ao evento, que ultrapassou os R$ 6 milhões. A prefeitura do Rio de Janeiro, sob a gestão de Eduardo Paes (PSD-RJ), injetou R$ 3,9 milhões, o dobro do valor do ano anterior. Esta ampliação do financiamento ocorreu pouco antes de Paes deixar o cargo, em um gesto que visa o eleitorado evangélico, apesar de ter se desgastado com a esquerda ao defender Malafaia em meio a investigações no STF.
O governo do estado, com Cláudio Castro (PL-RJ) à frente, também contribuiu com R$ 2 milhões, reforçando a proximidade com Malafaia, que o apoia em sua pré-candidatura ao Senado. Curiosamente, o apoio de Paes não impediu Malafaia de impulsionar Douglas Ruas, principal rival de Paes na disputa pelo governo fluminense.
Durante o evento, Malafaia não poupou críticas a adversários políticos, atacando aqueles que, segundo ele, “odeiam os princípios da palavra”, defendem o aborto, a ideologia de gênero e a “devassidão moral”. O pastor também reiterou sua crítica a evangélicos que votam em candidatos de esquerda, classificando-os como “vagabundos” e “ladrões” que odeiam a Bíblia e os crentes.
A ausência de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, também é um ponto a ser destacado. Sua falta ocorre em um momento de relações instáveis com Malafaia, que recentemente apoiou uma chapa rival à de Flávio. Apesar de ter sido convidado para um culto na igreja de Malafaia, a relação entre os dois foi abalada por novas revelações sobre o senador e o empresário Daniel Vorcaro. Inicialmente defensor de Flávio, Malafaia admitiu que novas evidências dificultariam o apoio evangélico ao senador.
A “Marcha para Jesus”, tradicionalmente um evento religioso, parece ter se consolidado como um espaço privilegiado para a articulação política e a promoção de candidaturas bolsonaristas, com o uso expressivo de recursos públicos.






