Lobista Ligado a Bolsonarista Teria Articulado Bilhões do Rio para Banco Master
Uma investigação da Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero aponta Ricardo Siqueira Rodrigues, ex-sócio do blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, como peça central na intermediação de vultosos aportes do governo do Rio de Janeiro, sob gestão do ex-governador Cláudio Castro, para o Banco Master. A PF cumpriu novo mandado de busca e apreensão na residência de Castro, uma cobertura luxuosa na Barra da Tijuca.
Segundo a investigação, Rodrigues atuou como “articulador, captador e lobista” na obtenção de investimentos da Rioprevidência, órgão responsável pelas aposentadorias e pensões de servidores fluminenses, em aplicações vinculadas ao Banco Master. Ao todo, a Rioprevidência teria investido R$ 3,69 bilhões no conglomerado financeiro de Daniel Vorcaro, seja diretamente ou através de fundos geridos pela instituição.
As informações foram detalhadas em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as buscas. A PF identificou o pagamento de uma comissão de 0,6% por parte de Vorcaro a Siqueira, via empresa Mídias Promotora Ltda. Esta empresa, de acordo com a polícia, teria sido utilizada para lavagem de dinheiro e pagamento de propinas a agentes públicos.
“As conversas e registros analisados indicam pagamentos expressivos por supostos ‘serviços de captação’, sem aparente correspondência com atividades lícitas compatíveis, sugerindo que a empresa funcionou como canal para escoar recursos oriundos das operações fraudulentas, facilitando a lavagem de ativos e o repasse de valores aos agentes envolvidos”, afirma trecho da decisão do STF.
Mensagens interceptadas pela PF revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro estabeleceu metas de captação de recursos públicos de fundos previdenciários, buscando reerguer o Banco Master. Em uma das mensagens, Siqueira parabeniza Vorcaro por atingir a meta em curto prazo, destacando o banco como um dos maiores captadores de Letras Financeiras no período.
A decisão de Mendonça também menciona que Siqueira teria indicado a existência de um “dono” no RioPrevidência, cuja autorização seria necessária internamente para as operações, embora a identidade desse indivíduo não tenha sido revelada.
Conexões Passadas e Delacão Premiada
Ricardo Siqueira Rodrigues possui um histórico de envolvimento em empreendimentos polêmicos. Ele foi sócio de Paulo Figueiredo em um projeto de um Trump Hotel no Rio de Janeiro, que em 2019 foi alvo da Operação Lava Jato. Naquela ocasião, Siqueira e Figueiredo foram presos sob suspeita de pagamento de propina a diretores do Banco de Brasília (BRB) para viabilizar o projeto.
A investigação de 2019 já apontava a influência do grupo em fundos de pensão, com suspeitas de captação de recursos de fundos como o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Santos, Postallis (dos Correios) e Serpros (dos funcionários do Serpro), mediante pagamento de propinas.
Em 2019, Rodrigues firmou um acordo de delação premiada, fornecendo informações que contribuíram para investigações como o caso do QG da Propina, que levou à prisão do ex-prefeito do Rio, Marcelo Crivella. Após a anulação de processos da Lava Jato pelo STF, Rodrigues chegou a solicitar a devolução de R$ 10 milhões que havia restituído aos cofres públicos como parte de sua colaboração.






