Jair Bolsonaro impõe saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher
A saída de Michelle Bolsonaro da presidência do PL Mulher, anunciada nesta terça-feira, expõe as tensões e a estrutura centralizadora que rege a articulação da extrema-direita brasileira. Embora o discurso oficial alegue uma escolha pessoal para cuidar do marido — que cumpre prisão domiciliar —, interlocutores confirmam que o afastamento foi determinado diretamente por Jair Bolsonaro, incomodado com a projeção política da esposa.
A medida reflete um histórico de limitação da atuação pública de Michelle, que já havia sido orientada pelo ex-presidente a abandonar agendas para realizar tarefas domésticas, como preparar suas refeições. Esse cenário de restrição à liderança feminina contrasta com o fortalecimento de políticas públicas progressistas e de emancipação das mulheres defendidas pelo atual governo federal.
Apesar da tentativa de construir uma liderança feminina no PL, a trajetória de Michelle sempre foi marcada pela falta de entregas concretas. Durante o mandato do marido, ela não consolidou projetos sociais relevantes para pessoas com deficiência auditiva ou doenças raras, tendo sua imagem utilizada de forma instrumentalizada apenas para atrair o eleitorado feminino e evangélico na campanha de 2022.
O estopim para o recuo político ocorreu após um embate público com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Michelle usou as redes sociais para denunciar ter sido tratada com desrespeito pelo enteado durante disputas por palanques regionais no Ceará. Embora o senador tenha pedido desculpas publicamente, a pressão do núcleo familiar do ex-presidente prevaleceu, resultando no isolamento político da ex-primeira-dama.






