Guerra no Oriente Médio Aumenta Preços e Comprometem Voos no Brasil: Companhias Reduzem Oferta em Meio a Crise
Tensões globais no Oriente Médio já refletem no bolso do consumidor brasileiro e nas operações aéreas. Companhias como Latam e Azul confirmaram a redução de voos para os meses de junho e julho, em resposta direta ao aumento expressivo nos custos do combustível de aviação. A instabilidade geopolítica na região, que envolve o Irã, eleva o preço do petróleo e, consequentemente, do querosene de aviação (QAV), componente que representa quase metade dos gastos operacionais das empresas aéreas.
O presidente da Latam Brasil, Jerome Cadier, explicitou que a decisão de cortar cerca de 3% da operação planejada foi motivada pela forte elevação dos preços do combustível. A expectativa é de que esses ajustes persistam ao longo do terceiro trimestre, caso o cenário de incertezas se mantenha. Apesar da revisão na malha aérea, a empresa ainda projeta um crescimento em relação ao ano passado, porém em ritmo mais lento do que o inicialmente previsto.
A Azul também segue na mesma linha. O presidente da companhia, John Rodgerson, informou que a estratégia de intensificar a redução de voos visa preservar o caixa diante de um ambiente de despesas mais elevadas e incertezas. Ambas as empresas buscam adequar sua capacidade à demanda e aos novos patamares de custo, uma tendência que deve se prolongar com a continuidade do conflito no Oriente Médio.
O QAV se tornou um dos maiores desafios para o setor. Mesmo com a recente redução anunciada pela Petrobras no preço do QAV vendido às distribuidoras, o mercado internacional segue pressionado. A valorização do petróleo e os riscos de interrupção nas cadeias de abastecimento elevam os custos globais, impactando companhias aéreas em todo o mundo.
O reflexo da alta do combustível não é exclusividade brasileira. Na Europa, a SAS já cancelou centenas de voos e implementou reajustes temporários nas tarifas. Grandes empresas europeias como Air France-KLM e Lufthansa também sentem o aumento dos custos, embora alguns contratos de proteção contra oscilações de preços amenizem parte do impacto. Nos Estados Unidos, os gastos das companhias aéreas com combustível em abril aumentaram 78% em relação ao ano anterior, totalizando quase US$ 6,5 bilhões.






