Economia

FMI eleva projeção do PIB do Brasil e contraria cenário global pessimista

O Fundo Monetário Internacional (FMI) elevou a projeção de crescimento da economia brasileira para 2,4% em 2026, um avanço de meio ponto percentual em relação à estimativa de abril. A nova análise, parte do relatório Perspectivas da Economia Mundial, posiciona o Brasil em um seleto grupo de países com revisão positiva, em um movimento que vai na contramão da tendência global, cuja expectativa de crescimento foi reduzida para 3%.

A melhora, que consolida uma trajetória de recuperação nas estimativas do Fundo, já havia sido sinalizada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em evento no BNDES na semana passada. O otimismo reflete, em parte, a posição estratégica do Brasil como exportador de commodities energéticas, que se beneficia da alta nos preços do petróleo em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio. Este cenário contrasta com o de nações importadoras, que sofrem os efeitos negativos da instabilidade.

A nova projeção reverte um corte realizado em janeiro, quando o FMI reduziu a estimativa para 1,6%, atribuindo a queda à política monetária restritiva do Banco Central, com a taxa Selic em 15% ao ano. Desde então, as perspectivas para o país vêm melhorando consistentemente nos relatórios do Fundo, alinhando-se ao otimismo do governo federal, que também celebra a revisão positiva nas vendas de veículos anunciada pela Anfavea.

Apesar do cenário favorável, o FMI aponta desafios, como a trajetória da dívida bruta, que exige monitoramento. O crescimento projetado para o Brasil, embora robusto, ainda se mostra mais moderado que a média de 4,2% para o conjunto das economias emergentes. A revisão, no entanto, representa um dado positivo e um reconhecimento da resiliência da economia brasileira em um contexto internacional adverso.