Economia

Anfavea projeta maior venda de veículos em uma década

A indústria automobilística brasileira vive seu momento mais otimista em mais de uma década, refletindo o aquecimento da economia e o aumento do poder de compra da população. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revisou drasticamente suas projeções para 2026, estimando agora a venda de 3,01 milhões de veículos, o que representa uma expressiva alta de 12,1% sobre 2025 e o melhor resultado desde 2014. A nova estimativa é quase cinco vezes superior à previsão inicial de janeiro, que era de apenas 2,7%.

O motor dessa recuperação é o segmento de veículos leves, com crescimento projetado de 13%, indicando maior confiança das famílias para o consumo. A produção nacional também acompanha a tendência de alta, com expectativa de crescimento de 5,8%, alcançando 2,80 milhões de unidades fabricadas no país — o maior volume desde 2019.

Parte significativa deste resultado positivo é atribuída a políticas públicas de estímulo, como o programa federal Move Brasil. A própria Anfavea reconhece o papel do programa, que ofereceu financiamento para a renovação de frotas por profissionais do transporte, impulsionando a troca de veículos antigos por modelos mais novos e eficientes. Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, o governo sinalizou responsabilidade fiscal ao não prever uma terceira fase do programa em ano eleitoral.

O cenário positivo, no entanto, traz novos desafios para a política industrial do país. O forte aquecimento da demanda interna tem sido parcialmente atendido por importações, que cresceram no primeiro semestre. O resultado foi um déficit na balança comercial do setor, com a China se destacando como principal origem dos veículos importados, especialmente no segmento de eletrificados. Calvet aponta que o debate sobre alíquotas e política industrial será central para garantir que a produção nacional capture uma fatia maior desse mercado em expansão.

Enquanto o mercado interno celebra, as exportações enfrentam um cenário mais complexo, com projeção de recuo de 12,8%, influenciado pela crise na Argentina e pela concorrência internacional. O balanço geral, contudo, confirma a retomada da economia, e o desafio agora é alinhar a capacidade produtiva nacional ao crescente poder de compra dos brasileiros.