Política

Flávio Bolsonaro vai aos EUA contra tarifa que o irmão Eduardo estimulou

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está em Washington para participar, nesta terça-feira (7), de uma audiência pública sobre a possível imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A audiência é promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que analisa a medida contra o Brasil.

A articulação por sanções econômicas partiu do próprio irmão do senador, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A pressão de Eduardo por um tarifaço e outras medidas, como a revogação de vistos de ministros do STF, foi uma tentativa de interferir no processo da trama golpista para evitar a condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Eduardo, que perdeu o mandato por faltas, foi condenado pelo STF por coação e permanece nos EUA.

Agora, Flávio Bolsonaro busca reverter o cenário que o irmão ajudou a criar. O senador afirma que a sobretaxa deve ser evitada porque, em sua avaliação, a medida poderia fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes da viagem, ele enviou um documento ao USTR pedindo a suspensão da tarifa e a exclusão do Pix da disputa comercial.

Recentemente, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, respondeu a uma carta de Flávio afirmando que o governo de Donald Trump deve manter a posição por novas tarifas. Na resposta, Rubio citou o “otimismo” do senador brasileiro com as próximas eleições e sua “generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição”.

A decisão do governo americano sobre a tarifa é esperada até 15 de julho. A indústria brasileira também se mobiliza contra a medida, com a participação na audiência de Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC, representando a CNI, a Fiesp e a CSN.