Política

De Queiroz a Vorcaro: a biografia de denúncias que ameaça Flávio Bolsonaro

A pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto enfrenta sua mais grave crise, mergulhada em um histórico de denúncias que se estende por duas décadas de vida pública — do esquema de ‘rachadinhas’ na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) ao recente escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master.

O capítulo mais recente e explosivo envolve o escritório de advocacia do senador, que emitiu R$ 1,5 milhão em notas fiscais para empresas ligadas a Vorcaro. Uma das notas, de R$ 500 mil, foi paga por uma consultoria criada com capital de R$ 40, sem sede própria, que recebeu dezenas de milhões do Banco Master e é ligada a um contador já investigado por um esquema de R$ 100 milhões em notas frias. Flávio Bolsonaro admite o recebimento, mas alega que a relação foi “completamente legal e privada”.

A origem da conexão é o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”. Áudios revelados pela imprensa mostram Flávio cobrando de Vorcaro o repasse de parcelas do financiamento milionário do filme, que chegou a US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões). A Polícia Federal apura se parte dos recursos abasteceu o autoexílio de Eduardo Bolsonaro nos EUA.

O caso já resultou na abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizado pelo ministro André Mendonça, que tramita sob sigilo máximo. O custo político é visível: o senador viu seu apoio nas pesquisas cair de 33% para 28% desde o início da crise, enquanto o Centrão, com PP e União Brasil, já sinaliza neutralidade, esvaziando sua base de alianças.

Esse novo escândalo se soma a uma longa lista de acusações. A principal delas, o caso Queiroz, apontou um desvio de R$ 6,1 milhões via “rachadinha” de salários de assessores, com lavagem de dinheiro por meio de uma loja de chocolates e transações imobiliárias suspeitas. A denúncia do Ministério Público do Rio foi arquivada por questões processuais, sem análise do mérito. Há ainda as investigações sobre o uso da “Abin paralela” para espionar fiscais da Receita que apuravam o caso e os incômodos laços com o miliciano Adriano da Nóbrega, homenageado pelo senador na Alerj enquanto estava preso por homicídio.

Na frente eleitoral, Flávio acumula representações no TSE por desinformação sobre as urnas eletrônicas, propaganda antecipada em culto religioso e por usar a imagem do pai, que cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. O fio condutor que une as denúncias é a mistura entre o interesse privado e a função pública, um padrão que agora, com o colapso do Banco Master como pano de fundo, coloca em xeque a sobrevivência de seu projeto presidencial.