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Com novo muro de 25 km, Israel consolida segregação e divide Gaza

O governo de Israel avança na construção de uma barreira de 23 quilômetros dentro da Faixa de Gaza, uma medida que aprofunda a divisão do território palestino e consolida o controle militar sobre mais da metade do enclave. A obra, que já se estende por mais da metade dos 40 quilômetros de comprimento de Gaza, ergue-se sobre os escombros de comunidades palestinas demolidas pelo Exército israelense.

Análises de imagens de satélite confirmam a rápida expansão da estrutura. Em um trecho ao sul, próximo a Rafah, o que era uma barreira de 500 metros se transformou em 2,4 quilômetros em apenas duas semanas de julho. Oficialmente, Tel Aviv alega que o objetivo é “prevenir infiltrações e proteger tropas e comunidades israelenses”.

Na prática, a construção representa a materialização de uma nova fronteira interna, transformando em permanente o que deveria ser uma divisão temporária, estabelecida pelo acordo de cessar-fogo de outubro de 2024. O pacto, mediado pelos Estados Unidos, previa a retirada total das tropas, mas as negociações estão paralisadas. Do lado controlado por Israel, a paisagem é de devastação: a maioria das construções foi demolida e novas bases militares foram erguidas sobre as ruínas de cidades como Rafah, que antes abrigava mais de 250 mil pessoas.

Enquanto isso, mais de 2 milhões de palestinos vivem amontoados na estreita faixa costeira a oeste da barreira, em campos de tendas improvisados e em completa dependência de ajuda humanitária. O drama se agrava com a violência contínua. Desde o cessar-fogo, mais de 1.100 palestinos foram mortos por forças israelenses, a maioria em ataques aéreos. Embora Israel afirme mirar apenas militantes, soldados relataram ordens para atirar em qualquer pessoa que se aproxime da linha, incluindo crianças.

A guerra, iniciada após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que resultou na morte de 1.200 israelenses, já vitimou mais de 73 mil palestinos. A construção do muro, um novo fato consumado no terreno, altera a geografia do enclave de forma possivelmente irreversível, diante do silêncio da comunidade internacional.