Análise: Nova investigação contra Lulinha é um velho roteiro já conhecido de outros carnavais
A decisão do ministro André Mendonça, indicado ao STF por Jair Bolsonaro, de autorizar uma nova investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, recoloca em cena um roteiro conhecido da política nacional: familiares de presidentes transformados em protagonistas do debate eleitoral.
É evidente que toda denúncia deve ser investigada. O mesmo vale para Lulinha, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro ou qualquer outro cidadão. O problema surge quando a abertura de um inquérito passa a produzir efeitos políticos antes mesmo de qualquer conclusão.
Lulinha convive com isso há mais de duas décadas. Ao longo desse período, foi alvo de diversas investigações que receberam enorme repercussão pública e, em sua maioria, terminaram arquivadas ou sem condenação. Ainda assim, seu nome sempre voltou ao noticiário em momentos de forte disputa política.
Enquanto isso, casos envolvendo Flávio Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro seguiram caminhos próprios na Justiça, também cercados por intensa polarização e disputas narrativas.
A nova investigação chega justamente quando Lula lidera as pesquisas eleitorais e o governo apresenta indicadores econômicos mais favoráveis. Independentemente do resultado das apurações, o impacto político já começou.
No fim das contas, a Justiça tem o dever de investigar sempre que houver indícios. Mas também é responsabilidade da sociedade não confundir investigação com culpa. Em ano eleitoral, a verdade costuma ser a primeira vítima da disputa política.






