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A Greve em SP é única forma real e dolorosa de combate à privatização

Problema ou solução? Essa é uma questão importante a se definir quanto à greve e ao engajamento da população na conquista de alguma melhoria ou de algum avanço civilizacional. Quando o Estado — nesse caso, o próprio Estado de São Paulo — se coloca contra a vontade popular, em favor do mercado de capitais, a única saída é o engajamento da população, ao lado dos trabalhadores, na conquista de algo que não piore a vida de todos.

Quanto a essa questão, vale a pena citar uma greve ocorrida na cidade de Volta Redonda, no ano de 1984, contra o sucateamento da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Responsável por financiar o crescimento descontrolado do estado de São Paulo durante a ditadura, Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro, vivia uma realidade de sufocamento. A cidade era considerada área de segurança nacional, havia saído recentemente de um período de prefeitos nomeados, de repetidos estados de sítio e de estrangulamento financeiro, enquanto vendia o aço pela metade do preço internacional para financiar aqueles que apoiaram o golpe de 1964.

A população tinha, na CSN, mais do que uma propriedade: tinha uma relação de identidade, herdada do governo Vargas, já que Volta Redonda foi a primeira cidade moderna e planejada do Brasil, concebida como parte do projeto de construção do novo homem brasileiro.

A identidade, a memória, o sufocamento e o sucateamento levaram os mais de 15 mil funcionários a uma greve praticamente inevitável. Com a cidade em tensão, ainda durante um regime militar já enfraquecido, a própria população aderiu ao movimento grevista. Em outras palavras, tudo fechou as portas.

Com o lema “Vamos parar o gigante”, não houve sequer um mercado, uma padaria ou qualquer outro estabelecimento que abrisse as portas. Até mesmo lojas de redes nacionais foram atingidas, uma vez que seus trabalhadores se recusaram a trabalhar, em solidariedade aos metalúrgicos da CSN.

As conquistas incluíram a melhoria do preço do aço vendido no mercado interno, melhores condições de trabalho e o início das negociações pela jornada de seis horas, entre outras.

Nesse caso, o apoio da população foi fundamental. Em São Paulo, não deveria ser diferente. Mas por que as pessoas não se veem representadas nessa greve? Por que não se colocam ombro a ombro com os grevistas?

Ah, o capitalismo, tão individualista e tão estupidamente ignorante…