Política

Riqueza estratégica de terras raras do Brasil atrai cobiça militar dos EUA

O Brasil, detentor da segunda maior reserva global de terras raras, consolidou esses minerais como pilares de sua transição ecológica. Por meio de iniciativas inovadoras do governo federal, como a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica e linhas de fomento do BNDES, o país busca estruturar uma cadeia industrial voltada à descarbonização e à geração de energia limpa. No entanto, essa riqueza estratégica nacional enfrenta a pressão geopolítica do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que cobiça os minérios brasileiros para abastecer sua indústria de armamentos.

A mineradora Serra Verde, que opera em Minaçu (GO), tornou-se o centro dessa disputa após ser adquirida pela norte-americana USA Rare Earth. A empresa assegurou um contrato de 15 anos para destinar toda a sua produção a uma entidade capitalizada por agências governamentais de Washington. O interesse norte-americano foca no samário, elemento essencial para a fabricação de ímãs de mísseis de longo alcance, como o Tomahawk. Outro projeto em desenvolvimento pela australiana Meteoric, em Minas Gerais, também já possui memorando preliminar com processadoras ligadas ao ecossistema do Pentágono.

Enquanto o governo de Donald Trump historicamente prioriza o setor militar e enfraquece políticas climáticas globais, a gestão progressista no Brasil atua no sentido oposto. O BNDES e a Finep selecionaram planos de negócios que demandam R$ 45,8 bilhões para garantir que esses recursos sirvam à transição energética. O banco público exige rigorosos critérios socioambientais para a liberação de seus R$ 5 bilhões em financiamentos previstos, blindando o fomento a projetos que reduzem as emissões de gases do efeito estufa.

Diante do cenário, cresce no país o debate sobre a urgência de ampliar a soberania nacional sobre esses ativos estratégicos. Projetos de lei no Senado discutem maior controle e validação estatal sobre parcerias internacionais e mudanças societárias no setor minerário. Para especialistas, o fortalecimento de salvaguardas éticas e de transparência é crucial para assegurar que a riqueza mineral do solo brasileiro seja convertida em desenvolvimento sustentável e justiça climática, e não em combustível para a indústria da guerra.