Política

Greve contra concessão de linhas paralisa trens e gera trânsito quilométrico em SP

A cidade de São Paulo amanheceu travada nesta terça-feira (4), com mais de 1.000 km de congestionamento registrados pela manhã. O caos no trânsito é reflexo direto da greve dos trabalhadores de três linhas da CPTM, um movimento que expõe a crescente tensão em torno da privatização dos serviços públicos no estado. Com o rodízio de veículos suspenso para tentar mitigar os efeitos da paralisação, as filas de carros chegaram a 1.143 km às 9h, mais que o dobro do registrado na semana anterior.

A paralisação, que afeta as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, é um protesto da categoria contra o avanço da concessão do transporte sobre trilhos à iniciativa privada. O sindicato aponta as falhas apresentadas pela Trivia Trens após a concessionária assumir linhas que eram da CPTM como um alerta para o risco de precarização do serviço. A greve, por tempo indeterminado, foi decidida em assembleia na véspera.

Para o trabalhador que depende do transporte público, especialmente na populosa zona leste, o dia começou com superlotação, atrasos e poucas informações. A CPTM acionou o plano de emergência (Paese) com 128 ônibus, número insuficiente para a alta demanda, gerando longas filas e coletivos lotados. As linhas afetadas são cruciais para a ligação entre a periferia e o centro.

Em nota, o governo de São Paulo lamentou a greve e afirmou ter se comprometido com a manutenção dos empregos e a análise de projetos de interesse dos trabalhadores. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) determinou a operação de 80% do efetivo nos horários de pico e 60% nos demais, sob pena de multa diária de R$ 400 mil ao sindicato.