Economia

Mesmo com tarifaço, desempenho recorde das exportações impulsiona melhoria nas contas externas do Brasil

O Brasil celebra um marco histórico em suas relações comerciais, com as exportações atingindo um patamar sem precedentes em junho. Esse desempenho robusto foi crucial para a notável melhora das contas externas do país, um sinal positivo para a economia nacional e para a agenda de desenvolvimento progressista. Dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta terça-feira (28) revelam que o déficit em transações correntes foi reduzido a menos da metade em comparação com o ano anterior, passando de US$ 5,2 bilhões em junho de 2025 para US$ 2,3 bilhões no mesmo mês deste ano.

A principal força motriz por trás dessa recuperação foi o expressivo superávit da balança comercial, que alcançou US$ 8,8 bilhões em junho de 2026, um salto significativo em relação aos US$ 5,2 bilhões registrados no ano passado. Este aumento de US$ 3,6 bilhões no saldo positivo do comércio exterior demonstra a capacidade do país de fortalecer sua posição no mercado global.

As exportações de bens somaram impressionantes US$ 36,4 bilhões, configurando o maior valor da série histórica do Banco Central. Esse crescimento de 24,8% em relação a junho de 2025 reflete a resiliência e a competitividade dos produtos brasileiros. As importações também registraram avanço, atingindo US$ 27,6 bilhões, um aumento de 15,3% na mesma comparação, o que indica uma economia aquecida e em expansão.

Apesar do cenário positivo na balança comercial, o déficit na conta de serviços apresentou um aumento de US$ 0,7 bilhão em relação a junho do ano passado, totalizando US$ 5,1 bilhões. Esse resultado foi influenciado principalmente pelo crescimento das despesas líquidas com viagens internacionais, transporte e serviços de telecomunicações, computação e informação. Tal aspecto aponta para áreas que podem ser objeto de futuras políticas de incentivo e substituição de importações no setor de serviços.

No acumulado de 12 meses encerrado em junho, o déficit em transações correntes somou US$ 61,4 bilhões, equivalentes a 2,46% do Produto Interno Bruto (PIB). Uma melhora substancial em relação a junho de 2025, quando o saldo acumulado negativo era de US$ 75,5 bilhões, ou 3,52% do PIB. Esses números reforçam a trajetória de estabilização e fortalecimento econômico sob a atual gestão.

Foto: Divulgação / Porto de Santos

Investimentos

Os investimentos diretos no país (IDP) também demonstram um cenário promissor, com ingressos líquidos de US$ 9,1 bilhões em junho, um aumento expressivo em comparação com os US$ 3,1 bilhões registrados no mesmo mês do ano passado. Em 12 meses, o investimento direto acumulado alcançou US$ 89,3 bilhões, o equivalente a 3,58% do PIB. Estes dados sublinham a confiança dos investidores estrangeiros no potencial de crescimento do Brasil e nas políticas governamentais que promovem um ambiente de negócios favorável.

Por outro lado, os investimentos em carteira registraram uma saída líquida de US$ 0,6 bilhão no mês, com retirada líquida de US$ 2,2 bilhões em ações e fundos de investimento, parcialmente compensada por ingressos de US$ 1,6 bilhão em títulos no mercado doméstico. Este é um dado que merece atenção, mas não ofusca o brilho dos investimentos diretos.

Reservas

As reservas internacionais fecharam junho em US$ 367,6 bilhões, uma redução de US$ 3,6 bilhões em relação a maio. Segundo o Banco Central, essa queda foi influenciada por variações cambiais entre as moedas que compõem as reservas, vendas de dólares no mercado à vista e oscilações nos preços dos ativos. Mesmo com essa variação, o patamar das reservas internacionais mantém o país em uma posição de solidez e segurança financeira, essencial para a estabilidade econômica e para a implementação de políticas públicas que visam o bem-estar social.