Política

Lula reage com firmeza à articulação de Trump e Milei no país

O governo federal identificou uma ofensiva coordenada entre o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da Argentina, Javier Milei, com o objetivo de interferir no processo eleitoral brasileiro de outubro. A articulação representa uma ameaça inédita à soberania nacional, na avaliação do presidente Lula em conversas reservadas.

A ação da extrema-direita internacional se manifestou em duas frentes. Nos EUA, foi revelado um plano de Trump para enviar dois de seus auxiliares ao Brasil com a missão de semear dúvidas sobre a lisura das eleições. Em uma resposta firme e imediata, o Itamaraty negou os vistos aos funcionários.

A crise com a Argentina, por sua vez, escalou no último sábado, quando Milei participou de uma convenção do PL e declarou que o partido pode “parar Lula”, em uma clara ingerência em assuntos internos do Brasil. No mesmo evento, o presidente argentino atacou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, chamando-o de “lixo careca”.

Diante da gravidade dos fatos, o Palácio do Planalto agiu de forma contundente. O embaixador brasileiro em Buenos Aires foi convocado de volta ao Brasil, um gesto considerado drástico na diplomacia. Além disso, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, convocou o embaixador argentino Daniel Raimondi para manifestar a “repulsa” do governo brasileiro aos “impropérios” de Milei.

O receio no governo é que a ofensiva inclua pressão sobre plataformas digitais, como o X e o Rumble, para impulsionar conteúdo favorável a candidatos bolsonaristas. Aliados do presidente defendem uma ação preventiva do Tribunal Superior Eleitoral para coibir o uso de inteligência artificial na campanha, como o vídeo de Jair Bolsonaro exibido no evento do PL.

Em um gesto de apoio à soberania brasileira, o governo da China manifestou, após telefonema entre Lula e Xi Jinping, seu respaldo aos esforços do Brasil para se opor a interferências externas. O governo segue monitorando a atuação de figuras como Eduardo Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas.