Política

PF: Banqueiro ligado a Flávio Bolsonaro usou rede para espionar outros banqueiros

Novos desdobramentos da investigação sobre o Banco Master expõem as táticas agressivas de seu controlador, Daniel Vorcaro, atualmente preso. Segundo a Polícia Federal, ele teria encomendado a produção de dossiês ilegais contra figuras centrais do sistema financeiro, como André Esteves, do BTG Pactual, e Milton Maluhy, presidente do Itaú Unibanco e da Febraban. A apuração sugere uma ação coordenada para monitorar e constranger não apenas concorrentes, mas também representantes institucionais do mercado.

A operação, segundo a PF, envolvia uma estrutura paralela de coleta de dados sigilosos. O publicitário Thiago Miranda, ex-sócio do portal Leo Dias e também alvo de mandados na última semana, atuava como intermediário, contratando um especialista para acessar sistemas restritos e obter informações privadas que iam de dados pessoais a financeiros. O objetivo era mapear a vida e os negócios dos alvos para além do que é publicamente acessível.

A motivação seria uma acirrada disputa comercial pela venda do próprio Banco Master. Documentos revelam que Vorcaro via Esteves não apenas como um concorrente, mas como um obstáculo, acusando-o de usar sua influência para sabotar uma negociação com o Banco de Brasília (BRB) junto ao Banco Central. A desconfiança evidencia o ambiente de alta tensão e a disputa por poder nos bastidores do setor financeiro.

O caso se insere em um padrão de intimidação que preocupa o cenário político e financeiro. As práticas de Vorcaro, que incluem o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro produzido por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, reforçam a percepção de um método de pressão contra adversários que opera à margem das instituições. Essa conduta, apontam as investigações, revela uma face do poder econômico alinhado a setores da extrema-direita, cujas ações agora são escrutinadas pelas autoridades.