Política

Supremo como moeda de troca: o pacto de Flávio para indicar bispo da Universal ao STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se o centro de uma ousada negociação política nos bastidores de Brasília. Conduzida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a articulação visa garantir o apoio do Republicanos, oferecendo uma futura vaga na mais alta corte do país ao bispo licenciado da Igreja Universal, Marcos Pereira, que preside a legenda.

O acordo, que ocorre em meio ao esvaziamento da aliança em torno do PL, prevê um compromisso de longo prazo. Em troca da indicação ao STF para uma das cadeiras que vagarão entre 2027 e 2030, Flávio Bolsonaro se comprometeria a não disputar a Presidência em 2030, abrindo caminho para uma eventual candidatura de Tarcísio de Freitas, hoje filiado ao Republicanos, ao Palácio do Planalto.

A manobra busca estancar a debandada de partidos do Centrão e da direita que abandonaram a chapa “puro sangue” do PL, garantindo a fidelidade de uma legenda com forte capilaridade eleitoral. Embora ambas as siglas neguem oficialmente o arranjo, as tratativas avançam como forma de manter coesa a base conservadora.

Figura central na negociação, Marcos Pereira consolidou o Republicanos como o principal braço político da Igreja Universal do Reino de Deus. Ex-ministro no governo de Michel Temer, ele atua como o principal elo entre o projeto de poder da denominação religiosa e a política institucional, transformando a legenda em uma força decisiva no Congresso Nacional.

Caso o pacto se concretize, a indicação representaria um avanço sem precedentes do projeto da Universal, instalando pela primeira vez um de seus bispos no STF em meio a um período de intensa disputa pelo futuro da corte.