Porta-voz de Milei renuncia após ocultar patrimônio milionário na Argentina
O porta-voz do governo argentino, Manuel Adorni, renunciou ao cargo nesta sexta-feira (19) após ser alvo de denúncias de enriquecimento ilícito e ocultação de bens. Homem de confiança do presidente ultraliberal Javier Milei, Adorni admitiu ter escondido US$ 500 mil (cerca de R$ 2,6 milhões) em suas declarações financeiras, alegando tratar-se de economias não declaradas em criptomoedas. A queda do porta-voz expõe as contradições do discurso moralista da extrema-direita vizinha, que frequentemente ataca as políticas de transparência e o papel regulador do Estado.
Investigado pela Justiça Federal argentina há três meses por suspeitas de superfaturamento na compra e reforma de imóveis, Adorni tentou justificar a sonegação como uma forma de “escapar do sistema político”. O caso enfraquece a narrativa da atual gestão, que assumiu o poder com promessas de rigor ético, mas agora enfrenta graves suspeitas de desvio de conduta em seu núcleo mais próximo. Adorni, que continuará no cargo de chefe de Gabinete, será substituído na porta-voz por Adrián Ravier.
Conhecido por sua retórica hostil contra opositores e movimentos progressistas, Adorni acumulou polêmicas no cargo, chegando a ironizar o papa Francisco quando este defendeu a importância do Estado na garantia da justiça social. O escândalo de ocultação de patrimônio aprofunda a crise política do governo Milei, cuja agenda de desmonte dos serviços públicos e austeridade severa já enfrenta forte rejeição popular, registrando 63% de reprovação entre os argentinos.






