Política

Ofensiva no Irã consome arsenal estratégico e expõe fragilidade bélica dos EUA

A recente ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã, batizada de Operação Fúria Épica, drenou os arsenais de armas de precisão do país em um ritmo alarmante, expondo uma vulnerabilidade logística e industrial por trás da fachada de superpotência. Em apenas sete semanas de conflito, o Pentágono consumiu uma parcela crítica de seus mísseis mais avançados, segundo análise do Center for Strategic and International Studies (CSIS).

O levantamento aponta que foram utilizados ao menos 45% do estoque de mísseis Precision Strike Missile (PrSM) e quase 50% dos interceptadores do sistema de defesa Patriot. Fontes ouvidas pela agência Reuters confirmaram que os estoques de mísseis superfície-superfície, como os ATACMS e os PrSM, atingiram níveis críticos, com o uso de “virtualmente todos” os armamentos disponíveis, cujo custo individual ultrapassa US$ 1 milhão.

A situação dos PrSM, que foram empregados sem um ciclo de testes adequado, já era considerada preocupante. Um oficial do Exército admitiu que uma unidade equipada com o novo míssil esgotou seu inventário inteiro logo no início das operações. O consumo de interceptadores também foi massivo: nos primeiros quatro dias, as baterias Patriot dispararam 943 projéteis, o equivalente a 18 meses de produção industrial.

O custo bilionário da operação e a dificuldade de reposição, que pode levar de um a quatro anos, teriam levado o ex-presidente Donald Trump a adiar um novo ataque de grande escala, de acordo com reportagens do New York Times e do Wall Street Journal. Trump negou a informação, mas o governo já solicitou ao orçamento de defesa um montante de US$ 95 bilhões para munições, além de um suplemento de guerra de US$ 21 bilhões. O próprio relatório do CSIS vê nesses números a urgência de reconstituir um arsenal esgotado por uma intervenção militar e já voltado para uma eventual disputa com a China.