O Colapso Moral de Israel: O Ódio que Consome a Identidade Judaica e o Isolamento Global
Um olhar profundo e doloroso sobre a trajetória de Israel revela um país que, de utopia sionista, se transformou em palco de uma violência que assombra a própria identidade judaica. O que antes era admirado como uma façanha militar que redimia a Europa da vergonha do Holocausto, hoje se desdobra em um cenário de “pura maldade e imoralidade”, como descreve um observador experiente. A ocupação, antes invisível aos olhos de muitos, agora expõe uma realidade de desumanização e limpeza étnica em Gaza e no Líbano.
O autor, que passou a juventude admirando o Estado de Israel, relata o choque de conhecer a realidade dos campos de refugiados palestinos. “Fiquei encantado com o país moderno… até que visitei um campo de refugiados — e conheci o outro lado”, confessa. A pergunta que ecoa é a mesma de décadas atrás: como os mesmos soldados antes vistos sorrindo nas praias de Tel Aviv podem hoje se comportar com tamanha violência contra um povo que “ficou sem nada, sem casa, sem terra e sem dignidade”?
A declaração de que “não há civis inocentes em Gaza” por parte de ministros israelenses choca e desmente qualquer vestígio de inocência. O filósofo francês Alan Finkielkraut aponta para um ódio sem precedentes, onde a crítica à política israelense é rotulada como antissemitismo e qualquer um que deseje ajudar as vítimas é chamado de terrorista. O recente episódio com dois médicos portugueses que foram a Gaza em missão humanitária, tratados como terroristas, presos e deportados, culminando com insultos e humilhações por parte do ministro da Segurança Nacional israelense, expõe a barbárie que se instala e se normaliza.
O autor questiona a origem deste ódio e o que se pretende construir com tal comportamento. A promessa de destruir o Hamas, o Hezbollah e enfraquecer o Irã é vista com ceticismo, pois o “pesadelo de Israel são os palestinos”, um povo que sempre esteve e sempre estará presente.
O temor maior é que essa “pulsão de destruição” e “cegueira de morte” não seja apenas consequência de um governo em deriva democrática, mas sim o reflexo de um desejo profundo do próprio povo judeu. As pesquisas indicam que a responsabilidade não se limita a Netanyahu e seu governo. A pergunta que paira é aterradora: “Temo que tudo isto seja exatamente o que o povo judeu quer que seja feito — matá-los a todos.” Israel se encontra em uma solidão sem precedentes, isolado globalmente, e a busca pela identidade em meio a tanta violência pode ser a sua maior derrota.






