Menos de 10% da capacidade: Prefeitura de São Paulo planeja reúso de esgoto contra escassez
A Região Metropolitana de São Paulo, que abriga 21 milhões de pessoas, enfrenta um desafio histórico de segurança hídrica por estar localizada em uma cabeceira de rios. Com uma disponibilidade de água inferior a 10% do mínimo recomendado pela ONU, a metrópole depende da importação de mais de metade de seus recursos de outras bacias. Para enfrentar esse cenário, agravado pela crise climática, o novo Plano Municipal de Saneamento Ambiental Integrado (PMSAI-SP), elaborado em parceria com a ONU-Habitat, propõe soluções sustentáveis e de vanguarda.
A principal aposta do plano, que esteve sob consulta pública, é o reúso potável indireto de água. A medida consiste em tratar o esgoto de forma rigorosa para alimentar represas e sistemas como o Alto Tietê e Cotia, criando um circuito fechado de abastecimento. A meta é atingir 9,2% de reúso do volume total consumido até 2045, estendendo a prática também para a indústria e a limpeza urbana.
Segundo Lucas Daniel Ferreira, coordenador do plano pela ONU-Habitat, a iniciativa é urgente diante das projeções de aumento de consumo decorrentes do aquecimento global. Para viabilizar a transição ecológica, Amanda de Almeida Ribeiro, coordenadora de Segurança Hídrica municipal, destaca a criação de incentivos financeiros para o consumo consciente. O avanço da proposta agora depende de amplo debate público para superar barreiras culturais e consolidar a regulamentação ambiental do setor.






