MASTER: Empréstimo milionário expõe elo do presidente da Febraban com Banco Master
A revelação de um empréstimo de R$ 5,5 milhões contratado por Isaac Sidney, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), com o Banco Master em 2020, joga luz sobre as complexas relações no topo do sistema financeiro nacional. A operação, realizada para a compra de um apartamento duplex, foi confirmada e consta em um documento judicial ligado à liquidação do Master.
O nome de Sidney aparece em uma lista de 112 operações de crédito que um liquidante judicial anexou a um processo no Tribunal de Justiça de São Paulo. O objetivo do liquidante é demonstrar como os controladores do Master, a família Vorcaro, teriam utilizado uma série de manobras financeiras para desviar recursos bilionários da instituição.
Embora o presidente da Febraban não seja parte do processo nem investigado, sua presença na lista de clientes cujos créditos foram cedidos a terceiros chama a atenção. A operação de Sidney, assinada em novembro de 2020, foi vendida em dezembro de 2021 à Urbaniza Empreendimentos e Participações por um valor atualizado de R$ 6,1 milhões, com juros considerados dentro da média de mercado.
Em nota, Isaac Sidney reagiu duramente, afirmando que a divulgação é uma retaliação às críticas que a Febraban tem feito ao Master. “Está muito claro para mim que é criminosa a conduta da ou das fontes da matéria, ao buscarem uma de 112 operações […] para atingir quem está à frente de uma entidade que continuará a enfrentar esses delinquentes da mais grave fraude no sistema bancário”, declarou.
O executivo negou qualquer irregularidade e disse desconhecer o motivo de sua operação constar na lista. Ele também informou que não foi notificado por nenhuma autoridade sobre o assunto.
A relação entre Sidney e o Banco Master, contudo, é anterior ao empréstimo. Em 2018, quando o banco ainda se chamava Máxima, Sidney prestou assessoria jurídica para que Daniel Vorcaro obtivesse o aval do Banco Central para assumir o controle da instituição. Na época, Sidney era colaborador do escritório Warde Advogados. Ele ingressou na Febraban em 2019, tornando-se presidente em março de 2020, meses antes de contratar o financiamento.
O processo judicial em que a lista foi inserida apura a cessão de centenas de milhões de reais em créditos duvidosos a fundos de investimento ligados ao próprio universo Master, em um esquema que, segundo o liquidante, visava beneficiar a família controladora.






