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Irã na Copa: FIFA Garante Participação, Mas Sombra da Guerra Paira sobre o Mundial

A Federação de Futebol da República Islâmica do Irã (FFIRI) foi convocada pela FIFA para sua sede em Zurique, com a missão de preparar a participação iraniana na Copa do Mundo. Fontes ligadas ao processo confirmaram a convocação antes do dia 20 de maio. Apesar da garantia do presidente da FIFA, Gianni Infantino, de que a seleção iraniana disputará seus jogos na América do Norte, como planejado, a participação do país no mundial, que ocorre entre 11 de junho e 19 de julho, não está 100% sacramentada. A instabilidade gerada pela guerra no Oriente Médio, com bombardeios em território iraniano, lança uma sombra sobre o evento.

Infantino, em diversas ocasiões, reafirmou categoricamente a presença do Irã nos Estados Unidos. “Quero confirmar, sem ambiguidades, que o Irã vai participar da Copa do Mundo de 2026. E, com certeza, o Irã jogará nos Estados Unidos”, declarou o dirigente em abril, durante o Congresso da FIFA em Vancouver. A posição de Infantino parece ter encontrado eco, ainda que com nuances, no presidente americano Donald Trump. Trump, que em momentos anteriores levantou preocupações sobre a segurança de jogadores iranianos em solo americano, declarou posteriormente estar de acordo com a participação do Irã, afirmando: “Eu disse a ele: ‘Faça o que quiser. Você pode ficar com eles’ (…) Acho que eles devem poder jogar”.

Apesar da aparente concordância, as tensões políticas criaram um cenário complexo. Declarações americanas anteriores chegaram a motivar, em um primeiro momento, o planejamento de um boicote por parte de dirigentes do futebol iraniano. Houve até uma tentativa de negociar a realização dos jogos do Irã no México, proposta que foi rejeitada pela FIFA. O recente Congresso da entidade, mesmo com a posição de Infantino, apontou dificuldades logísticas em potencial com a presença iraniana na América do Norte.

Um episódio recente adicionou mais um elemento de complicação: a delegação iraniana cancelou sua participação em Vancouver, alegando comportamento ofensivo da polícia de imigração em sua chegada a Toronto. A situação é agravada pelo fato de o Canadá ter classificado a Guarda Revolucionária Iraniana, braço armado ideológico da República Islâmica, como grupo terrorista, e o presidente da FFIRI, Mehdi Taj, ser ex-integrante dessa organização. Ao retornar ao Irã, Taj manifestou o desejo de uma reunião com a FIFA para tratar de “muitas questões”.

A FIFA aguarda uma resposta da FFIRI em até três semanas antes do início da Copa do Mundo. A estreia do Irã está marcada para 16 de junho em Los Angeles, contra a Nova Zelândia, seguida por confrontos contra a Bélgica em 21 de junho, também em Los Angeles, e contra o Egito em 27 de junho, em Seattle. A concentração da equipe iraniana ocorrerá em Tucson, no Arizona.