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Febre por figurinhas raras cria mercado especulativo e afasta torcedor comum

O sonho de completar o álbum da Copa do Mundo, uma tradição que une famílias e torcedores, se tornou um desafio cada vez mais distante para o bolso do brasileiro. O que antes era uma diversão popular, com pacotes acessíveis, hoje alimenta um mercado paralelo com itens que chegam a custar milhares de reais, expondo uma faceta da desigualdade que atinge até mesmo o lazer.

Enquanto o envelope com sete figurinhas tem preço oficial de R$ 7, cards especiais de craques como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo são negociados por valores que vão de R$ 200 a R$ 2.000. As figurinhas da série Legend, produzidas em menor escala, são o principal motor dessa especulação. Em uma banca especializada de São Paulo, que chega a faturar R$ 10 mil por semana, a versão ouro de Messi ou Cristiano Ronaldo já foi vendida por R$ 800.

Colecionadores relatam a dificuldade de encontrar os jogadores mais famosos nos pacotes tradicionais. Um deles aponta que, em um teste informal, encontrou um Cristiano Ronaldo a cada 130 pacotes. Para muitas famílias, a compra avulsa, mesmo mais cara, torna-se a única alternativa viável para não gastar fortunas com pacotes e figurinhas repetidas.

A Panini, fabricante do álbum, afirma que a percepção de raridade de certos jogadores é uma “falsa impressão”, garantindo que todas as figurinhas comuns são produzidas na mesma quantidade. A empresa, no entanto, não divulga os números de produção dos cards especiais, o que aumenta a desconfiança e alimenta o mercado especulativo. A prática transforma o colecionismo em um jogo de altos valores, onde o poder de compra se sobrepõe à paixão pelo esporte.