Política

Empresa de Deltan Dallagnol recebe R$ 382 mil de dinheiro público do Novo

O uso de recursos do fundo partidário por legendas de oposição volta ao centro do debate sobre a moralidade e a transparência na aplicação de verbas públicas. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que a empresa Comply Aperfeiçoamento Profissional recebeu R$ 382 mil do Partido Novo em 2025. A firma tem como sócios o ex-procurador e deputado cassado Deltan Dallagnol, sua esposa e seus filhos.

Dallagnol, que perdeu o mandato parlamentar em 2023 por decisão do TSE com base na Lei da Ficha Limpa, atua hoje como “embaixador” da legenda. A engenharia financeira do contrato mostra que o ex-procurador recebia os valores inicialmente como pessoa física. Posteriormente, o vínculo foi transferido para a empresa familiar, criada em 2021 quando ele ainda integrava o Ministério Público Federal. O contrato atual garante uma remuneração mensal de R$ 42,5 mil à empresa.

Embora a migração de pessoa física para jurídica seja uma prática comum para redução de impostos, o arranjo ganha contornos éticos questionáveis ao canalizar recursos públicos do fundo partidário para o núcleo familiar de um único dirigente. O caso se soma a outras práticas de partidos de direita, como o PL, que destinou R$ 484 mil em quatro meses para um núcleo de comunicação ligado a Jair Bolsonaro.

A direção do Partido Novo e a assessoria de Dallagnol defendem a regularidade dos pagamentos, justificando que o trabalho de comunicação e engajamento ajudou a sigla a saltar de 34.421 filiados em 2023 para 81.755 em 2026. No entanto, o caso evidencia a necessidade de maior controle social e regras mais rígidas para garantir que o fundo partidário cumpra seu papel constitucional de fortalecimento democrático, em vez de se converter em fonte de renda privada para lideranças políticas.