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Crise com Milei e EUA valida alertas da inteligência sobre soberania nacional

A recente participação do presidente argentino, Javier Milei, em um evento da extrema-direita no Brasil, somada à postura firme do Itamaraty ao barrar a entrada de uma comitiva norte-americana que pretendia questionar o sistema eleitoral, validou um alerta que a inteligência brasileira vem emitindo desde o ano passado. A avaliação é de servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que enxergam nos episódios a concretização de um cenário de risco à soberania nacional monitorado há meses.

Segundo os agentes, os fatos não são isolados, mas parte de uma estratégia geopolítica mais ampla que utiliza governos estrangeiros e campanhas de desinformação para lançar dúvidas sobre a lisura das eleições no Brasil. O temor é de uma escalada de tentativas de influência externa com foco na disputa presidencial de 2026, pressionando instituições como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Relatórios da Abin produzidos desde dezembro já indicavam essa possibilidade. “O que foi alertado se tornou fato e a gente entende que isso pode haver uma escalada ao longo do processo eleitoral”, afirmou um servidor que pediu para não ser identificado. A ressalva é que a análise, por ora, constitui uma hipótese de inteligência, construída com base no monitoramento do cenário internacional.

A preocupação é com uma combinação de ações diplomáticas, manifestações públicas e campanhas de propaganda destinadas a enfraquecer a confiança popular nas urnas eletrônicas e na legitimidade do processo democrático brasileiro.

Contudo, os próprios servidores apontam que a capacidade de resposta do Estado está limitada. A legislação que rege a atividade de inteligência, de 1999, é considerada defasada e não oferece o respaldo jurídico necessário para monitorar campanhas de influência no ambiente digital. A Intelis, entidade que representa os servidores da Abin, vê a situação “com muita preocupação”, afirmando que os alertas da agência se confirmaram justamente em um momento em que o órgão sofre com o “desmonte e sucateamento”, além de restrições orçamentárias que comprometem sua capacidade de assessorar o Estado na defesa da democracia.