Carlos Bolsonaro, apresente sua carteira de trabalho ao trabalhador de SC
**Carlos Bolsonaro se lança em SC com discurso de “trabalhador”, mas currículo levanta questionamentos**
O clã Bolsonaro aposta em Carlos Bolsonaro para expandir sua influência em Santa Catarina, onde o filho do ex-presidente busca uma vaga no Senado. Com um evento marcado em Florianópolis, Carlos tenta se apresentar como um político alinhado aos interesses da classe trabalhadora, em um estado que ostenta um dos menores índices de desemprego do país. No entanto, sua trajetória levanta dúvidas sobre a autenticidade desse discurso.
Desde os anos 2000, Carlos Bolsonaro atua como vereador no Rio de Janeiro, cargo que ocupou por 25 anos. Sua notoriedade pública se consolidou, em grande parte, por sua atuação em comunicação, associada a episódios como o “gabinete do ódio” e as “milícias digitais”. Paralelamente, sua carreira política foi marcada pela proximidade com o pai e pela defesa de uma agenda conservadora.
Apesar de ter sido eleito vereador aos 17 anos, em uma disputa que, segundo relatos, marcou um racha familiar, Carlos Bolsonaro não possui experiência no mercado de trabalho formal. Seu salário como vereador ultrapassava os R$ 23 mil, e como dirigente do PL, chega a R$ 38 mil. Críticos apontam que essa realidade contrasta com a retórica de identificação com o “povo que trabalha”, questionando sua capacidade de representar os anseios dos trabalhadores, especialmente diante de declarações que minimizam o papel dos sindicatos.
O passado político de Carlos Bolsonaro também é marcado por investigações. Um inquérito sobre suspeita de “rachadinha”, prática de desvio de salários de assessores, foi reaberto em 2026, após ter sido arquivado prematuramente pelo Ministério Público. A “rachadinha” é descrita como um roubo aos cofres públicos, onde parte do salário de colaboradores, ou até mesmo de funcionários “fantasmas”, é apropriada pelo político.
A candidatura de Carlos Bolsonaro em Santa Catarina também enfrenta resistências internas no PL local, que vislumbra uma superação do bolsonarismo e defende o protagonismo de lideranças regionais. A aposta em Carlos, com um histórico focado em comunicação e na manutenção do poder da família, sem um legado de projetos concretos em benefício da classe trabalhadora, gera ceticismo sobre sua capacidade de engajar o eleitorado catarinense.






