Política

Quaest: Lula mantém liderança sólida, mas direita se reorganiza em torno de Flávio Bolsonaro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reafirma sua posição de destaque na corrida pelo Palácio do Planalto, com 39% das intenções de voto no primeiro turno, conforme revela a mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (5). Embora o senador Flávio Bolsonaro (PL) apareça em segundo lugar, com 30%, e tenha reduzido a diferença em relação ao levantamento anterior – passando de 12 para 9 pontos percentuais –, a liderança do presidente Lula se mantém robusta, refletindo a confiança de grande parte do eleitorado nas políticas progressistas e na agenda de reconstrução do país.

A pesquisa, que ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre 31 de julho e 3 de agosto de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais, aponta que, mesmo diante de uma reorganização do campo da direita, liderada por Flávio Bolsonaro, o projeto de país proposto pelo governo federal continua sendo a escolha majoritária. Nomes como Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) aparecem empatados com 4%, seguidos por Romeu Zema (Novo) com 2%, e outros candidatos com 1% ou menos.

No cenário estimulado para o primeiro turno, Lula demonstra a força de sua base, com 39% das intenções de voto. A estabilidade de sua votação, mesmo com pequenas oscilações, contrasta com o movimento de Flávio Bolsonaro, que subiu de 28% para 30%. É importante notar que 69% dos eleitores já se mostram decididos em sua escolha, um aumento em relação a julho, indicando que as convicções estão se consolidando.

No segundo turno, a vantagem de Lula se amplia em todos os cenários testados. Contra Flávio Bolsonaro, o presidente alcança 44% das intenções de voto, contra 39% do senador. Contra Ronaldo Caiado, Lula registra 45% a 37%, e diante de Romeu Zema, o petista marca 46% contra 34%. Em um confronto com Renan Santos, Lula mantém 45% contra 35%.

A análise de Felipe Nunes, CEO da Quaest, aponta que o crescimento de Flávio Bolsonaro está intrinsecamente ligado a uma reorganização estratégica da direita, buscando aglutinar eleitores antipetistas. A reaproximação pública com Michelle Bolsonaro, avaliada positivamente por 59% dos entrevistados, e a reação à decisão do STF que proibiu o senador de visitar o pai, considerada “errada” por 52%, são elementos-chave nesse processo. No entanto, esses movimentos, embora mobilizem a base bolsonarista, não são suficientes para desestabilizar a liderança de Lula.

Apesar da estabilidade na aprovação do governo Lula (48% aprovam, 47% desaprovam), a pesquisa também indica desafios na percepção sobre o país e a economia. 55% dos entrevistados acreditam que o Brasil está na direção errada, e a percepção de notícias negativas sobre o governo aumentou. Programas como o Desenrola e a isenção do Imposto de Renda, embora essenciais para a população, ainda enfrentam um desafio na comunicação de seus impactos diretos, com a percepção de benefício direto e significativo recuando em alguns segmentos.

A rejeição a Flávio Bolsonaro, com 54%, é a maior entre os candidatos, enquanto Lula registra 52%. Esses dados reforçam a polarização do cenário político, mas também sublinham a importância de o governo federal continuar a dialogar com a sociedade, mostrando os resultados de suas políticas e o compromisso com a melhoria da vida dos brasileiros. A agenda progressista, que busca a inclusão social, o desenvolvimento sustentável e a redução das desigualdades, permanece como o caminho para consolidar a confiança e garantir a continuidade de um projeto de país mais justo e equitativo.