Investigação sobre Banco Master revela 74 ligações a Jaques Wagner
Documentos da Polícia Federal detalham uma intensa comunicação entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Ferreira Lima, executivo ligado ao Banco Master. A apuração revela um total de 74 chamadas telefônicas, somando mais de cinco horas, realizadas entre novembro de 2023 e maio de 2025.
Segundo o relatório, a relação ia além das conversas e envolvia o suposto recebimento de presentes, o uso de aeronaves particulares e a articulação de um encontro “discreto” entre executivos do banco e o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, no gabinete do senador. Messias, em nota, negou ter participado da reunião.
A investigação aponta que a prática de enviar vinhos de alto valor, que chegavam a custar R$ 5.300, não se restringia ao senador. A lista de destinatários incluiria outros nomes importantes da política baiana e nacional, como o governador Jerônimo Rodrigues (PT), o ex-ministro Rui Costa (PT), o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), e o ex-prefeito ACM Neto (União).
Em entrevista anterior, Jaques Wagner classificou a ação da PF como uma “patacoada” e afirmou que a investigação “criminaliza qualquer tipo de relacionamento”. O senador negou ter atuado em favor da instituição financeira. “O que a Polícia Federal tem que comprovar, e não vai, é a relação de troca. Eles inventaram que trabalhei pelo Banco Master. E eu nunca trabalhei a favor, trabalhei contra”, declarou.
Os investigadores, no entanto, correlacionam a frequência e a duração das chamadas a eventos de interesse do banco, como a tramitação de uma emenda sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O relatório também descreve o uso de jatinhos do empresário pelo senador em pelo menos quatro ocasiões, além do custeio de ingressos para um show da cantora Taylor Swift, no valor de R$ 63 mil, para a filha e a neta do parlamentar.
A PF destaca ainda a preferência por ligações de voz via WhatsApp, o que, segundo o documento, sugere uma tentativa de evitar registros escritos de temas sensíveis. Para os investigadores, o conjunto de evidências aponta para um “arranjo estruturado” entre agentes públicos e privados, com a possível concessão de vantagens indevidas associadas à função pública do senador.






