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Conjuntura: Pesquisas confirmam que os ventos estão a favor de Lula

As duas últimas semanas alteraram o ambiente político da eleição presidencial de 2026. Até pouco tempo, a expectativa da oposição era transformar o desgaste natural de um governo em vantagem eleitoral. O movimento observado recentemente, porém, aponta na direção oposta.

A pesquisa Genial/Quaest divulgada em meados de julho mostrou Lula ampliando sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, o presidente aparece com 40% das intenções de voto, contra 28% do senador. No segundo turno, a diferença chega a oito pontos: 45% a 37%. Mais significativo do que a vantagem é a tendência. Lula oscilou positivamente, enquanto Flávio perdeu terreno. Outros levantamentos divulgados na sequência, como Datafolha e Nexus, confirmaram o mesmo movimento, consolidando a percepção de que o presidente inicia a campanha em posição confortável.

Os números ajudam a explicar por que a estratégia da oposição parece ter mudado nas últimas semanas. Com indicadores econômicos relativamente favoráveis e melhora da avaliação do governo, tornou-se mais difícil sustentar uma campanha baseada exclusivamente na ideia de crise permanente. A consequência tem sido o deslocamento do debate para temas identitários, segurança pública e conflitos institucionais.

Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro entrou oficialmente na disputa cercado por dificuldades. Além das investigações e controvérsias que continuam projetando sombra sobre sua trajetória política, o senador enfrenta obstáculos para ampliar alianças e dialogar com eleitores moderados. A rejeição registrada pela Quaest — 57%, a maior entre os principais candidatos — evidencia esse desafio. Uma candidatura pode vencer carregando desgaste, mas dificilmente o faz quando encontra resistência justamente no eleitor que decide eleições apertadas.

Outro dado chama atenção. O cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, afirmou que a probabilidade de reeleição de Lula aumentou significativamente nas últimas semanas, reflexo da combinação entre melhora dos indicadores econômicos e estabilidade política. Isso não significa que a disputa esteja encerrada, mas indica uma inflexão importante na conjuntura.

Nada disso garante o resultado de outubro. Campanhas brasileiras continuam altamente suscetíveis à influência das redes sociais, à circulação de desinformação e a acontecimentos inesperados. Ainda assim, o quadro atual impõe uma mudança de posição para a oposição: em vez de explorar um governo fragilizado, ela precisa explicar por que não consegue transformar denúncias, polarização e mobilização digital em crescimento nas pesquisas.

O contraste é ainda mais evidente quando se observam os fatos acumulados nas últimas semanas. Enquanto o governo passou a divulgar resultados econômicos positivos e consolidou uma percepção de maior estabilidade, a candidatura de Flávio Bolsonaro viu seu lançamento ser acompanhado pelo retorno do debate sobre as investigações que marcaram sua trajetória política. A coincidência entre esses acontecimentos ajuda a explicar por que a agenda pública passou a favorecer mais o governo do que seus adversários.

Há, ainda, um elemento estrutural que costuma escapar da cobertura diária. Em períodos de relativa estabilidade econômica, parte do empresariado e do mercado financeiro tende a reduzir a pressão por mudanças bruscas de governo, priorizando previsibilidade para investimentos e consumo. Isso diminui o espaço para discursos de ruptura e desloca a disputa para a capacidade de cada candidatura convencer o eleitor de que representa segurança para o futuro.

Por enquanto, a principal notícia da campanha não é apenas a liderança de Lula. É o fato de que, apesar do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, das ofensivas políticas contra o governo e da intensa disputa narrativa, o presidente não apenas preservou sua vantagem como conseguiu ampliá-la nas pesquisas. Se essa tendência se mantiver, a oposição terá de reconstruir sua estratégia, porque a eleição deixou de ser uma simples aposta no desgaste do governo e passou a exigir uma alternativa capaz de dialogar com um eleitorado que, ao menos por ora, demonstra enxergar mais estabilidade do que crise no cenário nacional.