Política

Zanin/STF amplia cerco a ministros do STJ suspeitos de venda de sentenças

O cerco contra a suspeita de venda de decisões no Superior Tribunal de Justiça (STJ) se aprofunda com uma nova e rigorosa frente de apuração. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu sinal verde para a Polícia Federal abrir uma investigação formal sobre o ministro Marco Buzzi, tornando-o o segundo integrante da corte a ser formalmente investigado por suspeitas de envolvimento em um esquema de corrupção.

A decisão de Zanin, que também autorizou a investigação sobre o ministro Moura Ribeiro, reforça o compromisso das instituições em apurar desvios em altas esferas do Judiciário. Os dois inquéritos correm sob sigilo. No caso de Buzzi, a apuração também mira a suspeita de envolvimento de um familiar do magistrado.

Em nota, o ministro Buzzi afirmou que “não tem relação com atividades de nenhum de seus familiares” e disse desconhecer a investigação. Relatórios anteriores da mesma operação já haviam mencionado a advogada Catarina Buzzi, sua filha, embora um parecer posterior da PF tenha apontado que ainda não havia indícios conclusivos contra ela. A defesa de Catarina classifica as menções como “descabidas” e baseadas em “informações antigas e já rejeitadas”.

Além da grave suspeita de venda de sentenças, o ministro Buzzi responde a um processo disciplinar no STJ por acusações de importunação sexual e assédio. Ele está afastado de suas funções desde fevereiro, quando solicitou uma licença de 90 dias para tratamento psiquiátrico. O magistrado nega todas as acusações.

O primeiro investigado no caso foi o ministro Moura Ribeiro. A apuração, que tramita no STF desde o início de 2024, aponta para decisões suspeitas e sua possível relação com o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, além de transferências financeiras a um ex-funcionário de seu gabinete. Moura Ribeiro também nega qualquer irregularidade e afirma ter uma “trajetória honrada”.