Política

Quaest: Crença na vitória de Lula se consolida e supera o dobro da de Flávio Bolsonaro

A corrida presidencial para 2026 desenha um cenário de crescente otimismo em torno da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (15) revela que 55% dos brasileiros já acreditam na vitória de Lula, enquanto apenas 25% apostam no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A diferença de 30 pontos percentuais na percepção de vitória sinaliza uma forte consolidação do favoritismo do atual governo no imaginário popular.

O levantamento, que ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre 10 e 13 de julho, mostra que o presidente recuperou fôlego em múltiplos indicadores. Em um confronto direto de segundo turno, Lula atinge 45% das intenções de voto contra 37% de Flávio, sua maior vantagem registrada em 2026. A aprovação do governo também deu um salto simbólico, chegando a 48% e superando numericamente, pela primeira vez desde dezembro de 2024, a desaprovação de 47%.

Parte crucial da explicação para o avanço do presidente reside na crise interna da família Bolsonaro. O levantamento captou o impacto do desentendimento público entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e seu enteado, Flávio. O resultado foi danoso para o senador: 42% dos entrevistados deram razão a Michelle, contra apenas 18% que apoiaram o parlamentar. Como consequência, a percepção de que Flávio é “mais moderado” que a família caiu, e sua rejeição atingiu 57%, a mais alta entre os pré-candidatos.

Outro dado que reforça a solidez da campanha de Lula é a convicção de seu eleitorado. O percentual de eleitores do presidente que considera seu voto “definitivo” subiu de 71% para 77% desde abril. No mesmo período, a certeza do voto em Flávio Bolsonaro caiu de 70% para 62%, indicando uma base mais volátil e suscetível a mudanças.

A pesquisa também avaliou o impacto da operação da Polícia Federal envolvendo o senador Jaques Wagner (PT), mas o episódio demonstrou ter alcance limitado. Cerca de 54% dos entrevistados sequer tinham conhecimento do caso, o que ajuda a explicar por que o fato não se traduziu em perda de popularidade para o presidente.

Enquanto a base lulista se unifica, a direita segue fragmentada e sem uma alternativa viável a Flávio Bolsonaro, que, mesmo enfraquecido, ainda lidera o campo. Nomes como Ronaldo Caiado (4%) e Romeu Zema (2%) não demonstram, até o momento, capacidade de mobilizar o eleitorado e desafiar a polarização atual.