Flávio Bolsonaro atua contra o Brasil ao lado de lobista investigado nos EUA
Em audiência pública em Washington, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi a única voz brasileira, entre 34 participantes, a não se opor à imposição de uma sobretaxa de 25% sobre produtos nacionais pelos Estados Unidos. Em vez de defender os interesses do país, o parlamentar endossou as acusações americanas e pediu apenas o adiamento da medida para depois das eleições, argumentando que a taxação agora poderia fortalecer a oposição. A postura, que contraria a posição oficial do governo brasileiro, rendeu ao parlamentar uma nota de repúdio do Itamaraty.
A atuação do senador ocorre em um contexto de intensa articulação do bolsonarismo com figuras da extrema direita americana. O principal elo é Jason Miller, ex-assessor de Donald Trump e lobista que mantém uma relação próxima com a família Bolsonaro. Miller é o nome por trás da Gettr, rede social que tentou se estabelecer no Brasil com uma agressiva operação política e financeira, hoje sob escrutínio da Justiça americana.
Documentos judiciais revelam que a operação da Gettr no Brasil, comandada por Paulo Figueiredo, foi financiada com dinheiro de um esquema de fraude bilionário liderado pelo empresário chinês Miles Guo. Os recursos bancaram publicidade em veículos de imprensa alinhados ao bolsonarismo, como a Jovem Pan, patrocinaram eventos de parlamentares como Eduardo Bolsonaro e Carlos Jordy, e chegaram a planejar a encomenda de uma pesquisa eleitoral cujo resultado só seria divulgado se fosse favorável ao então presidente.
A Justiça dos EUA já condenou a Gettr a devolver 35,6 milhões de dólares (cerca de R$ 192 milhões) e o próprio Miller é cobrado a restituir mais de 350 mil dólares recebidos de empresas de fachada ligadas ao esquema. Enquanto atua como lobista remunerado pela Índia, defendendo os interesses do país asiático junto ao governo americano, Miller dedica-se à causa bolsonarista sem registro de pagamento, promovendo ataques a instituições brasileiras, como o STF, e ao presidente Lula.
A relação de Miller com o clã Bolsonaro é explícita, com agradecimentos públicos de Eduardo Bolsonaro e postagens de Miller apoiando uma candidatura de Flávio em 2026. O episódio em Washington expõe a aliança entre um setor da oposição brasileira e operadores estrangeiros cujas atividades são financiadas por dinheiro ilícito e que atuam abertamente contra os interesses econômicos e soberanos do Brasil.






