Flávio Bolsonaro Promete revogar a reforma tributária e pode quebrar o país
O senador Flávio Bolsonaro (PL), em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), defendeu a revogação da reforma tributária aprovada em 2023, um dos principais avanços legislativos do atual governo. A proposta, apresentada como um pilar de sua pré-candidatura presidencial, prevê a substituição do modelo em vigor por um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) de 20%, além de um corte em decretos e portarias para desburocratizar o ambiente de negócios.
A promessa de ruptura com o sistema recém-aprovado, no entanto, acendeu um sinal de alerta entre especialistas e dirigentes empresariais. A principal preocupação é o risco de insegurança jurídica e instabilidade institucional que uma medida tão drástica poderia causar. O processo de transição para o novo modelo tributário já está em andamento e sua interrupção abrupta lançaria o país em um limbo regulatório, afugentando investimentos em um momento de recuperação econômica.
Ao criticar a reforma, o senador ignora que a própria CNI, anfitriã do debate, é uma das maiores defensoras da unificação de impostos como caminho para a simplificação e a redução do chamado “custo Brasil”. A proposta de um IVA de 20%, significativamente abaixo das médias internacionais, também foi recebida com ceticismo, pois o pré-candidato não detalhou como o Estado compensaria a perda de arrecadação para manter os serviços públicos essenciais.
Analistas apontam que a revogação da Emenda Constitucional nº 132 significaria um retrocesso ao complexo e caótico sistema anterior, marcado pela guerra fiscal entre os estados. A iniciativa é vista mais como uma estratégia eleitoral para atrair setores insatisfeitos do que um projeto de governo viável, com potencial para desorganizar as finanças públicas e minar a confiança na economia nacional.






