Política

A Gigante dos Combustíveis Que Teria se Associado ao Bolsonarismo Para Tirar Proveito do Governo do Rio de Janeiro

Investigações da Polícia Federal revelam um esquema chocante de influência e manipulação envolvendo o grupo Refit, um player de peso no setor de combustíveis, e a Secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro. Documentos obtidos pela PF indicam que um operador do grupo, Álvaro Barcha Cardoso, teria agido como elo direto, direcionando decisões fiscais em favor da Refit.

Em diálogos interceptados, Cardoso aparece instruindo auditores fiscais sobre como lidar com concorrentes da Refit, como as empresas Tobras e Tramp Oil. O objetivo, segundo a PF, era manter a cassação da inscrição estadual dessas concorrentes, impedindo-as de operar legalmente. Um auditor fiscal, Carlos França, é citado em mensagens comprometedoras, onde demonstra total subserviência às ordens de Cardoso, prometendo “impedir a inscrição estadual” e até mesmo “cancelar o recadastramento” de empresas rivais.

A PF descreve a atuação de Cardoso como a de um “agente externo com acesso privilegiado, influência e ingerência em rotinas internas”, mesmo sem qualquer vínculo formal com o órgão estadual. As investigações também apontam para um estilo de vida ostentatório do operador, com fotos de grandes quantias de dinheiro em espécie e indícios de fluxos financeiros suspeitos via Pix.

O ex-governador Cláudio Castro é acusado de ter utilizado a “máquina do estado” para proteger e favorecer o grupo Refit, que acumula uma dívida bilionária com o estado, estimada em quase R$ 10 bilhões, referente a anos sem recolhimento de impostos estaduais. O grupo, que controla a Refinaria de Manguinhos, teria se beneficiado de programas de parcelamento de dívida.

Em sua defesa, a Refit alega desconhecer Cardoso e nega qualquer interferência nas decisões estaduais. O ex-governador Cláudio Castro se diz à disposição da Justiça, defendendo a lisura de sua gestão e afirmando que os procedimentos adotados foram dentro da legalidade. Ele destaca que sua administração foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos pagasse parte de suas dívidas com o estado, num montante que se aproxima de R$ 1 bilhão.