Uefa lidera boicote contra plano da Fifa de privatizar o Mundial e seleções europeias estão fora de competições da Fifa
Em uma reação contundente contra a mercantilização do futebol, a Uefa e suas 55 federações nacionais aprovaram por unanimidade um boicote à Copa do Mundo e a todos os torneios organizados pela Fifa. A medida é uma resposta direta ao plano da entidade máxima do futebol de vender participações de suas competições a investidores privados, em uma clara ofensiva para transformar o esporte em um produto de mercado.
A decisão europeia se fortalece com o apoio de outras regiões. A Confederação Asiática de Futebol (AFC) já havia enviado uma carta dura às suas 47 federações, afirmando que a proposta da Fifa não poderia avançar sem um consenso global. Em comunicado, a Uefa declarou que rejeita de forma “unânime e inequívoca” a ideia, afirmando que a Copa do Mundo não está à venda e não pode ser tratada como um ativo financeiro.
Enquanto o plano seguir de pé, nenhuma seleção europeia disputará torneios da Fifa. A confederação exige que a proposta seja abandonada e que haja garantias formais de que a governança do futebol não será entregue ao capital privado. Para a entidade, a iniciativa representa uma “falha grave de liderança” da Fifa, que estaria renunciando ao seu papel de guardiã do esporte para priorizar o retorno comercial e as pressões de investidores.
A proposta, liderada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, visa criar uma subsidiária de 20 bilhões de dólares para administrar os eventos da entidade, com fatias minoritárias oferecidas a investidores. A AFC e a Concacaf, que representa as Américas do Norte e Central e o Caribe, criticaram a falta de diálogo e a condução unilateral do processo.
Em uma tentativa de pressionar as federações, Infantino ofereceu 40 milhões de dólares a cada uma das 211 associações membro que aceitarem o plano, valor que cairia para cerca de 10 milhões em caso de rejeição. O sindicato global de jogadores, Fifpro, também se manifestou contra, alertando para os riscos de uma mudança irreversível nos rumos do esporte.
Greg Maffei, consultor da Fifa no projeto e executivo que comandou a compra da Fórmula 1 pela Liberty Media, defendeu o modelo, afirmando que a entidade manteria o controle majoritário. No entanto, a resistência das confederações e dos atletas sinaliza uma forte oposição à entrega do maior espetáculo do futebol mundial à lógica do mercado financeiro.






