Política

Quaest: Lula conquista o centro e indecisos ao ampliar vantagem

Uma reviravolta no cenário político foi apontada pela mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15). O levantamento mostra um avanço expressivo do presidente Lula junto ao eleitorado independente, segmento que não se alinha automaticamente nem ao lulismo nem ao bolsonarismo e que representa o campo mais disputado da política nacional.

Entre esses eleitores, a aprovação do governo federal deu um salto de 32% em abril para 45% em julho. No mesmo período, a desaprovação despencou de um pico de 58% para os mesmos 45%, configurando um empate técnico e uma clara tendência de melhora. O movimento impulsiona os números gerais, nos quais a aprovação do governo alcançou 48%, superando a desaprovação de 47% pela primeira vez na série histórica da Quaest iniciada em dezembro de 2024.

O bom momento do governo se reflete diretamente nos cenários eleitorais. Em uma simulação de segundo turno contra Flávio Bolsonaro, Lula cresceu treze pontos entre os independentes em quatro meses, passando de 27% para 40%. No quadro geral, o presidente lidera com 45% contra 37% do senador, uma vantagem de doze pontos que reverte o cenário de abril, quando Flávio aparecia numericamente à frente por 42% a 40%.

A pesquisa indica que o crescimento de Lula vem da adesão de eleitores que antes se declaravam indecisos. Enquanto Flávio Bolsonaro permanece estagnado no centro, eleitores que estavam “em cima do muro” passaram a declarar voto em Lula. Esse movimento coincide com um desgaste da imagem do senador, cuja rejeição geral subiu para 57%, atingindo 68% entre os independentes.

A erosão do pré-candidato do PL se manifesta em diversos segmentos. Além da conhecida dificuldade com o eleitorado feminino, onde Lula lidera por 38% a 25%, Flávio Bolsonaro também perde terreno entre os homens. O presidente agora lidera por 42% a 30% neste grupo. O conflito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também cobrou seu preço: 42% dos entrevistados dão razão a ela, contra apenas 18% que apoiam o senador.

O pano de fundo para a recuperação do governo é a melhora na percepção econômica. A parcela da população que avalia que a economia piorou caiu de 50% para 43%. Políticas públicas progressistas mostram forte apoio e começam a ser sentidas pela população: 35% já se dizem beneficiados pela isenção do Imposto de Renda, o programa Desenrola 2.0 é aprovado por 55% dos brasileiros e o fim da escala de trabalho 6×1 tem o suporte de 69% da população.

Até mesmo o caso envolvendo o senador Jaques Wagner, que 61% dos entrevistados consideraram uma conduta errada, não foi capaz de frear o crescimento do governo. Os números sugerem que a agenda negativa ligada à oposição tem um peso maior para o eleitorado. O fechamento da pesquisa é simbólico: para 46% dos brasileiros, a volta da família Bolsonaro ao poder representa um medo maior do que a continuidade do governo Lula, apontada por 38%.