Política

Crise entre Michelle e Flávio expõe fragilidade do clã Bolsonaro, admite Valdemar

A crise interna no clã Bolsonaro, protagonizada pela ex-primeira-dama Michelle e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segue sem solução e expõe as fraturas do projeto de poder da extrema-direita. A confirmação partiu do próprio presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em entrevista neste sábado (11), ao admitir que nem mesmo a carta pública de Jair Bolsonaro pedindo união foi suficiente para apaziguar os ânimos.

O dirigente do PL foi explícito ao reconhecer o fracasso do gesto do ex-presidente, tratando o racha como uma questão familiar que apenas o patriarca, pessoalmente, poderia resolver. Valdemar destacou o peso eleitoral de Michelle, essencial para mobilizar o eleitorado feminino, e confessou que ainda torce por seu retorno à presidência do PL Mulher, cargo que ela deixou durante o auge da crise, evidenciando que a reaproximação ainda não ocorreu.

O ponto central da entrevista, no entanto, revelou a real motivação por trás da pressão pela reconciliação. Valdemar Costa Neto vinculou diretamente o sucesso eleitoral da família ao destino jurídico do ex-presidente. “Se nós perdemos [a eleição], o Bolsonaro ficará mais 10 anos preso”, afirmou, deixando claro que a disputa interna tem como pano de fundo uma estratégia para garantir a liberdade de Jair Bolsonaro.

A desorganização se estende à formação da chapa: Valdemar confirmou que a escolha do vice de Flávio só deve ocorrer às vésperas da Convenção Nacional do PL, em 25 de julho. Com a crise familiar sem solução e a chapa incompleta, o partido corre o risco de transformar o lançamento da candidatura em uma demonstração pública de suas fraturas internas.