Política

Mendonça (STF) autoriza operação contra ex-sócio de Leo Dias

O Supremo Tribunal Federal (STF) aprofundou as investigações da Operação Compliance Zero, que apura a atuação de uma organização criminosa ligada ao Banco Master. Em decisão desta quarta-feira (8), o ministro André Mendonça autorizou uma operação de busca e apreensão contra o empresário Thiago Miranda Silva, ex-sócio do portal Léo Dias, apontado pela Polícia Federal como peça central de uma estrutura montada para blindar os interesses do banqueiro Daniel Vorcaro.

A decisão, que acolhe pedido da PF com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), revela um esquema sofisticado de intimidação e manipulação. Segundo os investigadores, o grupo atuava para coagir jornalistas, violar dados sigilosos de concorrentes e de pessoas ligadas à presidência do Banco Central, além de manipular a opinião pública com campanhas de desinformação financiadas com recursos do próprio esquema.

A investigação aponta que Daniel Vorcaro estruturou uma “verdadeira organização criminosa” com diferentes frentes de atuação. Uma delas, descrita como um “braço armado”, era especializada em intimidação e obtenção ilegal de dados através da corrupção de policiais. Essa estrutura de contrainteligência teria permitido ao banqueiro saber com antecedência sobre a operação policial de novembro de 2025.

Thiago Miranda seria o articulador do “Projeto DV”, uma iniciativa para gerenciar a crise de imagem de Vorcaro. O projeto, no entanto, extrapolava a comunicação tradicional. A PF afirma que Miranda contratava influenciadores e orquestrava campanhas nas redes sociais com dinheiro de empresas ligadas ao banqueiro.

Um dos pontos mais graves da decisão detalha a devassa contra a liberdade de imprensa. A investigação concluiu que o grupo monitorava a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, com o objetivo de “reunir material informativo capaz de constranger, descredibilizar ou expor a jornalista publicamente”. Foram levantados dados pessoais, financeiros e familiares, parte deles obtidos ilegalmente pela plataforma NEXTBUSCAS.PRO.

O método se repetia com outros alvos, como o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho. Em mensagens, Vorcaro pede a Thiago um “levantamento” sobre o executivo, ao que o empresário responde: “Deixa comigo”. O ministro André Mendonça ressaltou que a organização criminosa possui “contornos de máfia”, e que a investigação se baseia em um “conjunto articulado” de provas, e não em “meras conjecturas”.