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Ameaças de Trump à Groenlândia e ao Irã expõem fragilidade da OTAN

A política externa de Donald Trump voltou a gerar um clima de forte instabilidade global nesta semana. Enquanto um novo ataque dos Estados Unidos ao Irã elevava o preço do petróleo e a tensão no Estreito de Ormuz, líderes europeus deixavam uma cúpula da OTAN em Ancara sem saber se as ameaças do presidente americano de anexar a Groenlândia são uma estratégia concreta ou apenas um blefe para pressionar aliados. A imprevisibilidade de Washington deixa evidente a fragilidade das alianças tradicionais e a urgência de respostas coordenadas para os desafios geopolíticos e climáticos.

O episódio da Groenlândia ilustra o caos. Antes da reunião, Trump reafirmou sua posição agressiva, declarando que o território “deveria ser controlado pelos Estados Unidos, não pela Dinamarca”. A fala acendeu o alerta na aliança militar. Horas depois, no entanto, o republicano mudou o tom abruptamente, afirmando que a cúpula foi “ótima” e que havia “muito amor naquela sala”. Para diplomatas, a oscilação expõe o desconforto de uma Europa refém das vontades de Washington, em um momento em que os cortes no orçamento de defesa do Reino Unido já enfraquecem a segurança do continente.

Enquanto a diplomacia patina, outra disputa crucial se desenrola em Bruxelas, desta vez em torno da agenda climática. De um lado, grupos empresariais da França, Alemanha e Itália pressionam a Comissão Europeia para flexibilizar as regras do sistema de comércio de emissões de carbono, buscando proteger a indústria pesada. Em carta à presidente Ursula von der Leyen, as federações pedem a manutenção de licenças de poluição gratuitas e a exclusão de setores como aviação e transporte marítimo internacional do sistema de cobrança.

Na direção oposta, vozes do setor privado que já investiram na transição energética cobram mais ambição. A influente família sueca Wallenberg, por exemplo, defendeu em outra carta que regras climáticas rígidas são essenciais para a competitividade. Para eles, “investimentos de baixo carbono criam valor para os negócios e aumentam a competitividade, o que protege empregos”. A Europa se vê, assim, dividida entre proteger indústrias tradicionais ou acelerar uma transição verde justa, que se mostra cada vez mais como uma estratégia econômica vencedora para o futuro.