Política

Moraes avalia revogar prisão domiciliar de Bolsonaro após apreensão de arma

O futuro de Jair Bolsonaro (PL) está sob análise do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após o término do prazo de 90 dias de sua prisão domiciliar. A permanência do ex-presidente em casa, concedida por razões de saúde, foi posta em xeque pela apreensão de uma de suas armas com um segurança na semana passada, episódio que Moraes classificou como “falta grave”.

Em despacho, o ministro indicou que o incidente pode levar à “cessação da prisão domiciliar” e solicitou um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). A PGR, por sua vez, manifestou que ainda não vê elementos para uma falta disciplinar e sugeriu aguardar o avanço das investigações, uma posição que pode influenciar a decisão final do STF.

Aliados e familiares de Bolsonaro defendem a prorrogação da medida, alegando que seu estado de saúde, embora melhor, permanece frágil e não suportaria um retorno ao complexo penitenciário da Papudinha. Politicamente, bolsonaristas argumentam que a volta ao presídio poderia fortalecer a narrativa de perseguição política, beneficiando a pré-campanha de seu filho, Flávio Bolsonaro (PL), à Presidência.

Durante os 90 dias, o isolamento político de Bolsonaro se acentuou. Com um rígido controle de visitas monitorado pela Polícia Militar, seu contato com o cenário político ficou restrito, concentrado principalmente em Flávio. Relatórios médicos apontam melhora no quadro geral, mas também registram episódios de cansaço, fadiga e sonolência devido a medicamentos. Em uma ocasião, uma visita do ex-ministro Adolfo Sachsida foi cancelada por este motivo.

Enquanto Flávio busca o aval do pai para decisões de sua pré-campanha, o tempo limitado de contato e a dinâmica eleitoral frustram as tentativas de uma participação mais ativa de Bolsonaro. Na avaliação de bolsonaristas, a prioridade é manter o ex-presidente em casa para preservar sua saúde, visando uma eventual presença na posse de Flávio, caso eleito.